Em muitas comunidades rurais do leste e do sul do Senegal, o padrão era o de sempre. Os homens falavam. As mulheres ouviam. As decisões domésticas eram tomadas por um único homem, o chefe da família. Quatro anos depois, todo esse equilíbrio mudou.
Entre 2019 e 2023, o Programa de Empoderamento Comunitário da Tostan foi implementado em 100 comunidades nas regiões de Kolda, Kédougou, Sédhiou e Tambacounda, em parceria com Global Affairs Canada. Uma avaliação independente está agora a analisar o seu impacto.
A primeira mudança é evidente nas normas de género.
No início do projeto, menos de 10 % das mulheres e raparigas conseguiam citar pelo menos dois direitos humanos. No final, mais de 87 % conseguiam fazê-lo. Em Salémata (sudeste do Senegal), 37 % das inquiridas compreendiam inicialmente as consequências nefastas da mutilação genital feminina; no final do projeto, todas as inquiridas eram capazes de as explicar.
O progresso foi além do conhecimento.
No âmbito dos agregados familiares, um maior número de casais referiu tomar decisões conjuntas sobre o espaçamento entre nascimentos e a educação dos filhos. Em Médina Yoro Foulah, os casos relatados de violência física entre cônjuges diminuíram de 30 % para 1 %. Esta mudança é também visível nos espaços públicos.
Foram criadas 182 Comissões de Paz e Segurança. As mulheres integram essas comissões e atuam como mediadoras em disputas locais. Participam também em comités de aldeia eleitos, que coordenam as decisões coletivas e estabelecem a ligação com as autoridades locais. A sua presença já não é marginal. É esperada.
Uma segunda transformação é particularmente visível na economia.
Em Goudiry, o número de mulheres envolvidas em atividades geradoras de rendimento aumentou de 44 % para 91 %. Observaram-se tendências semelhantes noutros locais. O acesso a pequenos fundos de apoio permitiu a muitas participantes iniciar ou expandir os seus negócios. Muitas referem um aumento dos rendimentos e uma maior capacidade de contribuir para as despesas do agregado familiar.
A avaliação revela que as mudanças nas normas sociais e a capacitação económica avançam em paralelo. Quando as mulheres auferem rendimentos e participam na tomada de decisões, a sua legitimidade social reforça-se.
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