Na sequência do lançamento bem-sucedido do Projeto Zero Fistula e do primeiro acampamento de cirurgias de reparação realizado em setembro — onde 14 mulheres foram tratadas com sucesso e 20 receberam consultas —, foram organizados mais dois acampamentos no final de dezembro nas regiões de Kolda-Sedhiou e Tambacounda-Kedougou, no sul do Senegal. Um total de 30 mulheres foi submetido a cirurgia para fístula obstétrica: em Kolda-Sedhiou, 36 mulheres receberam consultas e 25 foram submetidas a cirurgia de reparação, enquanto em Tambacounda-Kedougou, sete mulheres receberam consultas e cinco foram submetidas a cirurgia de reparação.
Antes do início dos acampamentos, os parceiros deram ênfase à sensibilização sobre a fístula através da rádio. O pessoal no terreno apelou aos profissionais de saúde e aos líderes religiosos para que ajudassem a mobilizar as comunidades e discutissem a parceria com a Amref e os hospitais de Kolda e Dakar. Nos cinco dias que antecederam a cirurgia, as mulheres que tinham viajado de diferentes regiões foram recebidas pelo escritório regional da Tostan em Kolda, que utilizou os seus recursos para lhes proporcionar um local onde ficar.
Além disso, antes dos acampamentos, foram organizadas várias atividades de sensibilização, tais como reuniões inter-aldeias (IVM) e workshops, destinadas aos membros da comunidade e às autoridades locais. Na região de Kolda-Sedhiou, realizaram-se duas IVM a 31 de outubro e a 23 de dezembro, com a presença de 10 comunidades e 240 participantes, bem como dois workshops adicionais em novembro com a participação de uma parteira. Em Tambacounda-Kedougou, realizaram-se em novembro dois workshops com 86 participantes, com a presença da comissão de saúde do Comité de Gestão Comunitária (CMC) de Dougue, bem como de um prefeito de saúde. Estes workshops ensinaram aos participantes como identificar a fístula.
Desde setembro, a sensibilização sobre a fístula levada a cabo por agentes de mobilização social (AMS) chegou a 179 comunidades, o que corresponde a aproximadamente 8386 pessoas. Os AMS recebem formação sobre os aspetos médicos da fístula obstétrica, tais como causas, sintomas, prevenção e tratamento, e organizam frequentemente reuniões comunitárias onde podem apresentar esta informação. Embora as mulheres tendam a ser maioria nessas reuniões, 2134 homens também participaram. Através dos esforços de mobilização social, as mulheres ganham coragem para falar abertamente sobre a sua vida com fístula obstétrica. Como resultado destes esforços até ao momento, foram identificadas 68 mulheres com esta condição.
O coordenador do projeto responsável pelo acompanhamento destes eventos conseguiu chegar às mulheres que se mostravam hesitantes e às que vivem em locais remotos e de difícil acesso, e estabelecer contacto com elas. Através de entrevistas com as pacientes, ficou claro que alguns maridos acompanharam as suas esposas, enquanto outras foram abandonadas pelos seus cônjuges. Isto reforça a importância não só de prestar assistência médica, mas também de criar um sistema que apoie a reintegração das mulheres nas suas comunidades após a cirurgia.
