Nos primeiros dois meses de 2013, realizaram-se três declarações públicas, incluindo a primeira declaração pública regional de sempre no Senegal, o que elevou o número total de comunidades que aderiram ao programa para mais de 7 000. Esta declaração pública regional em Ziguinchor, no Senegal, tal como outras declarações públicas de menor dimensão, foi o resultado de esforços coordenados de divulgação, um processo a que chamamos «difusão organizada». As comunidades que tinham participado no programa na região lideraram atividades de mobilização social e sensibilização sobre os direitos humanos e os ensinamentos do CEP da Tostan. Isto incluiu a educação de outras pessoas sobre o direito das mulheres e das raparigas à saúde e as potenciais consequências para a saúde, tanto imediatas como a longo prazo, da MGF.
As comunidades no Senegal estão vinculadas pelo peso das suas palavras, e fazer um anúncio num espaço público reflete a aceitação da nova norma social – ninguém será marginalizado por decidir não participar numa prática quando todos concordaram coletivamente em abandoná-la. É muito importante reunir toda a comunidade para abandonar uma prática, e consideramos que as declarações públicas são importantes para criar uma massa crítica que permita o abandono, através do apoio coletivo e público.
Em 2008, uma avaliação da UNICEF analisou aldeias que tinham participado no Programa de Apoio Comunitário (CEP) entre 1997 e 2001 e que se tinham comprometido publicamente a abandonar a mutilação genital feminina (MGF). A avaliação revelou que, quase 10 anos depois, a prevalência da MGF tinha diminuído em mais de metade nas aldeias participantes. Esta avaliação estabeleceu uma ligação entre as declarações públicas e a diminuição da prevalência.
Como a Tostan sempre explicou e como as nossas avaliações externas demonstraram, o abandono após o nosso programa e a declaração pública desse abandono não são garantidos a 100 %. No entanto, as declarações públicas são fundamentais no processo de abandono total e necessárias para criar uma massa crítica, levando, a longo prazo, a que a mutilação genital feminina passe a ser uma prática do passado.
«Isto é fundamental para as gerações futuras e proporcionou-nos uma base para novos comportamentos destinados a proteger as crianças e as mulheres, bem como a sua integridade física e moral»
Governador de Ziguinchor, Cheikh Tidiane Dien
