A saúde pública no Mali e a sensibilização para as consequências nocivas da mutilação genital feminina

No Mali, de acordo com o último relatório da UNICEF, a mutilação genital feminina (MGF) afeta 89% das mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 49 anos. A nível regional, a prevalência varia de comunidade para comunidade. O jornal maliano *Le Relais de Bougouni* publicou recentemente um artigo sobre a história desta prática no Mali e os recentes sucessos na promoção do seu abandono, com base numa investigação do jornalista Seydou Koné.

O artigo descreve como os esforços para o abandono da mutilação genital feminina (MGF) no Mali tiveram início há mais de 50 anos e se intensificaram a partir da década de 1990, com a democratização do país. Em 1996, o governo maliano criou o Comité Nacional para o Abandono de Práticas Nocivas (CNAPN), o que demonstrou o empenho do governo em pôr fim à prática. Mais tarde, em 2002, foi lançado o Programa Nacional para o Fim da Circuncisão Feminina com a «missão de coordenar, iniciar e avaliar ações» para acabar com a MGF.

O artigo destaca a recente declaração de 30 comunidades que participaram no Programa de Empoderamento Comunitário da Tostan em Fégoun, no centro do Mali. Seydou Koné afirmou no seu relatório que esta declaração pública constituiu um grande passo, «especialmente tendo em conta que, no Mali, durante as décadas de 1970 e 1980, falar em abandonar a mutilação genital feminina era um tabu».

O artigo terminava com uma citação de Koné, que resumia a sua opinião sobre o caminho a seguir para reduzir esta prática no Mali. Ele afirmou que «para que as pessoas abandonem esta prática, é necessário que haja um debate aberto sobre o assunto, mantendo-se sempre o respeito pela cultura maliana».

Leia mais sobre o processo de abandono da mutilação genital feminina no Mali e as declarações públicas no artigo completo (em francês).

Artigo deCamille Sarret