Josephine Ndao, voluntária da Equipa do Programa Internacional da Tostan, relata a sua experiência na Conferência Women Deliver 2010, em Washington, D.C. No início de 2010, Josephine foi selecionada entre milhares de candidaturas para participar na conferência.
WASHINGTON, D.C., 10 de junho de 2010 – Nos últimos três dias, tive o privilégio de participar na edição de 2010 Conferência Women Deliver em Washington, D.C., juntamente com líderes políticos, profissionais de saúde, membros de grupos de defesa e de jovens, e representantes de ONG, organizações internacionais e doadores.
As palavras marcantes proferidas no primeiro dia da conferência por Ban Ki-Moon, Melinda Gates e a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, prepararam o terreno para uma conferência verdadeiramente educativa e inspiradora, centrada na melhoria da saúde reprodutiva e materna em todo o mundo. A conferência foi uma oportunidade para celebrar os progressos alcançados na melhoria da saúde materna, mas serviu também como plataforma para que os profissionais do setor da saúde reprodutiva e materna aprendessem com os seus pares e aproveitassem o impulso internacional para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento do Milénio (ODM) 5 (reduzir a mortalidade materna em 75%).
Testemunhos de pessoas como Maribel Guitierrez Lopez, uma jovem originária da Guatemala, reforçaram o facto de que, para melhorar a saúde das mulheres e das raparigas, é necessário ter em conta diversos domínios, como a educação e o empoderamento comunitário, na definição das políticas de saúde. Profissionais de saúde e especialistas na área insistiram que a saúde das mulheres deve ser abordada como uma questão que abrange todo o ciclo de vida e não como um problema específico de uma determinada idade. Uma vida saudável é um estilo de vida que começa no nascimento de uma menina e que se desenvolve durante a sua juventude, a gravidez, a menopausa e a pós-menopausa. As mulheres devem ter conhecimento e acesso a serviços que lhes permitam tomar decisões saudáveis, higiénicas e seguras: desde a nutrição até ao parto assistido.
Os defensores e ativistas da juventude destacaram a importância de abordar temas tradicionalmente considerados tabu de uma forma que seja simultaneamente educativa e divertida, respeitando sempre os valores e a cultura gerais de uma comunidade. A realização de debates e atividades de «edutainment» lideradas por pares e por pessoas da própria comunidade, com quem o público se possa identificar, constituem métodos eficazes que podem conduzir a mudanças comportamentais positivas e a melhores escolhas de vida.
A conferência teve o cuidado de abordar os avanços tecnológicos nos domínios da medicina e da comunicação que podem melhorar ainda mais a saúde reprodutiva e materna. Painéis de especialistas discutiram e debateram a utilização de kits de parto e métodos contraceptivos que poderiam ser distribuídos ou administrados por profissionais de saúde rurais. Foram também abordadas estratégias de comunicação, como mensagens SMS, que ligam os profissionais de saúde às comunidades. Dispor de mais oportunidades, opções e acesso no que diz respeito à saúde reprodutiva e materna é essencial para salvar a vida de mulheres e raparigas.
Novas subvenções, como a contribuição de 1,5 mil milhões de dólares anunciada pela Fundação Bill & Melinda Gates durante a conferência, ajudarão a ampliar as soluções bem-sucedidas e baseadas em dados concretos na área da saúde reprodutiva e materna que foram discutidas e validadas durante a conferência.
Acredito que a conferência de três dias, que reuniu mais de 3 000 participantes, nos deu, a nós, participantes, uma maior motivação para intensificar os nossos esforços no sentido de salvar vidas e melhorar a saúde das mulheres e das raparigas em todo o mundo.
Josephine Ndao
