Estas hortas não são apenas uma fonte de alimentos frescos para os membros da comunidade, mas também uma atividade geradora de rendimentos, uma vez que os excedentes são vendidos com lucro. Utilizando as hortas como ferramenta, os membros da comunidade conseguem aplicar os conhecimentos sobre saúde, nutrição e direitos humanos que adquiriram durante o CEP para melhorar a segurança alimentar local.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, os quatro pilares da segurança alimentar são a disponibilidade de alimentos, a facilidade de acesso, a utilização adequada e a estabilidade a longo prazo. A informação e as competências transmitidas aos membros da comunidade durante o CEP, bem como as atividades de desenvolvimento local lideradas pelosComités de Gestão Comunitária (CMCs), permitem que as comunidades abordem cada um destes pilares e trabalhem em conjunto para garantir que a alimentação não se torne motivo de preocupação.
A disponibilidade de alimentos numa comunidade depende da sua distância dos mercados, da seleção de culturas sazonais e de uma distribuição eficiente. Algumas das 39 comunidades que participaram no programa na Guiné-Bissau são elas próprias vilas mercantis, enquanto outras têm de caminhar meio dia para chegar a um mercado semanal, conhecido na Guiné-Bissau como «lumo». A capacidade de cultivar parte dos seus próprios alimentos localmente nas hortas geridas pelo CMC permite à comunidade reduzir a sua dependência destes mercados, com mais opções disponíveis em casa. O cultivo de vegetais locais elimina também o risco de os alimentos se estragarem ou ficarem danificados durante o transporte a partir de cidades distantes.
O acesso aos alimentos é definido em termos da capacidade de uma família para adquirir alimentos disponíveis localmente, a par das suas próprias capacidades de tomada de decisão interna – optando por alocar recursos limitados para comprar alimentos de qualidade e distribuí-los equitativamente entre os membros da família. As lições sobre direitos humanos e saúde ministradas no CEP entram em ação para apoiar a tomada de decisões positivas no que diz respeito à segurança alimentar. Todos os homens, mulheres e crianças têm o direito fundamental de serem saudáveis, e os participantes aprendem o importante papel que a nutrição desempenha na saúde a longo prazo. Com esta informação, os residentes das aldeias participantes ficam mais bem preparados para decidir como utilizar os seus recursos, muitas vezes limitados, para o bem-estar geral de todos aqueles a seu cargo.
O conceito de aproveitamento alimentar refere-se à capacidade do organismo de uma pessoa de aproveitar os alimentos ingeridos. Um dos principais focos do módulo Kobi do CEP é a forma como a higiene pode melhorar a saúde da comunidade. Os participantes aprendem como os germes se propagam e que não lavar as mãos antes de comer ou preparar alimentos pode contaminar a refeição. As aulas sobre nutrição também ensinam aos participantes o valor de uma dieta variada e rica em vitaminas e minerais, ajudando-os a tirar o máximo partido do que escolhem consumir.
Os benefícios de uma alimentação saudável são melhor alcançados quando esta é mantida ao longo de um período prolongado; por isso, a disponibilidade de alimentos, o acesso de cada membro da família e a utilização saudável dos alimentos têm de ser estáveis para que as famílias se sintam seguras. Tradicionalmente, as comunidades na Guiné-Bissau cultivam alimentos sazonalmente, escolhendo culturas que prosperam melhor durante as diferentes estações do ano, a fim de garantir a disponibilidade ao longo de todo o ano. As hortas comunitárias funcionam da mesma forma, tirando partido das épocas de cultivo. As hortas locais também reduzem a vulnerabilidade das comunidades a picos repentinos nos preços dos alimentos. A economia da Guiné-Bissau é frequentemente imprevisível devido a uma dependência excessiva de algumas exportações-chave, pelo que as alterações nos preços do mercado global se fazem sentir fortemente a nível local. Com um investimento em alimentos cultivados localmente, as comunidades estão mais bem preparadas para tempos de incerteza.
A segurança alimentar é essencial para garantir o direito de cada indivíduo a uma vida plena e saudável. Para muitas famílias, especialmente aquelas com recursos económicos limitados, colocar comida na mesa, ou na tigela comum, todas as noites é um desafio. Estas 39 comunidades parceiras na Guiné-Bissau estão a criar soluções para este desafio, melhorando a segurança alimentar das suas comunidades.
