Nodia 25 de setembro, pessoas de 32 aldeias deslocaram-se até à pequena comunidade de Niaming, no Senegal (a menos de 8 km da fronteira com a Gâmbia), para celebrar o Dia Internacional da Paz, reconhecido pela ONU. Estes membros da comunidade vieram de ambos os lados da fronteira entre o Senegal e a Gâmbia e todos participaram recentemente no Projeto de Paz e Segurança da Tostan. O encontro teve como objetivo sensibilizar para as questões de paz e segurança na região e explorar as melhores práticas e lições aprendidas na resolução de conflitos e na mediação.
Proposta e organizada por membros da comunidade de Niaming, pelo seu Comité de Gestão Comunitária (CMC) e pelo seu recém-criado Comité de Paz, a iniciativa proporcionou uma forma de partilhar o que tinham aprendido através da sua participação no Projeto de Paz e Segurança. Outro objetivo importante foi dar ao Comité de Paz de Niaming, composto por cinco membros dinâmicos da comunidade que representam homens, mulheres e jovens, a oportunidade de dar a conhecer as suas mediações bem-sucedidas em toda a região fronteiriça.
O encontro transfronteiriço contou com a participação de mais de 200 pessoas, incluindo um número significativo de mulheres — partes interessadas fundamentais, embora muitas vezes ignoradas, no domínio da paz e da resolução de conflitos.
Vários oradores associaram o encontro à religião muçulmana, que dá grande ênfase à paz. Foi também debatida a relação entre paz e desenvolvimento, reconhecendo-se que o desenvolvimento não pode ocorrer sem paz e que, por isso, ambas as questões são indissociáveis. A saúde, a educação e a capacitação económica foram alguns dos exemplos apresentados como aspetos da segurança humana que não podem progredir num ambiente onde o conflito é comum.
Muitos participantes afirmaram que a fronteira que separa o Senegal da Gâmbia se tornou cada vez mais insignificante, uma vez que os conflitos e outros problemas ignoram frequentemente as fronteiras estabelecidas pelo homem. Oradores de ambos os países destacaram o trabalho notável realizado pelo Comité de Paz de Niaming. Membros da comunidade de várias camadas sociais descreveram como o Comité de Paz tem resolvido conflitos em toda a região, incluindo o caso de um imã local que não falava com o seu irmão há 20 anos. Representantes da Gâmbia reiteraram o seu apreço pelo Comité de Paz de Niaming e afirmaram que enviaram delegações através da fronteira para solicitar a sua ajuda.
Para aprofundar a compreensão dos membros da comunidade sobre o funcionamento do processo de resolução de conflitos e mediação, o CMC de Niaming preparou uma encenação divertida e informativa que girava em torno de um homem que acusava as vacas do seu vizinho de terem destruído parte das suas colheitas. Quando o vizinho se recusou a aceitar a culpa, o filho do homem cujas colheitas foram destruídas vingou-se entrando furtivamente nos campos do vizinho e roubando alguns dos seus amendoins. O filho do homem acusado apanhou-o em flagrante e levou-o diretamente ao chefe da aldeia. O chefe da aldeia pediu ao Comité de Paz de Niaming que o ajudasse a mediar o desacordo e, eventualmente, os homens conseguiram chegar a uma resolução — o vizinho prometeu trabalhar mais arduamente para impedir que as suas vacas invadissem os campos do vizinho, e o homem cujos campos foram destruídos prometeu, em troca, controlar o seu filho, uma vez que roubar é um crime grave na comunidade.
No geral, o encontro transfronteiriço revelou-se um grande sucesso, com muitos participantes a partilharem perspetivas importantes sobre questões de paz e segurança, servindo como exemplos marcantes de como a paz pode ser alcançada a partir da base.
