As comunidades, os líderes religiosos, as ONG e o Governo do Senegal debatem os direitos das crianças

Na segunda-feira, 2 de dezembro, os membros do Comité de Gestão Comunitária (CMC) da Tostan das regiões de Fouta, Kaolack e Thiès, no Senegal, reuniram-se numa reunião no Instituto Islâmico de Dacar, organizada pela Anti-Slavery International e pela Assembleia Africana para a Defesa dos Direitos Humanos (RADDHO), para debater a proteção dos direitos das crianças e, em particular, como melhorar as escolas e as condições de vida das crianças talibé.

Os talibés são estudantes de islamismo que são frequentemente enviados pelas suas comunidades para as daaras (escolas religiosas) nos centros urbanos, a fim de receberem educação de professores religiosos chamados marabus. Em muitos casos, as crianças enfrentam condições de vida difíceis, podem ser obrigadas a mendigar e, muitas vezes, não conseguem aprender nem desenvolver-se como seria desejável.

Funcionários do governo senegalês e 45 marabus locais também participaram na reunião e, juntamente com os membros do CMC, debateram as medidas já em curso para melhorar as condições, incluindo a modernização das daaras existentes e a garantia de um papel ativo do Estado na sua gestão. Cheikh Mbow, Diretor de Inspeção das Daaras, em representação do Ministro da Educação Nacional, presidiu à reunião. Cheikh Mbow elogiou os líderes religiosos pela sua dedicação e ação em conformidade com a política nacional.  Assegurou aos participantes que o Estado não pouparia esforços para criar um ambiente saudável para todas as crianças aprenderem. Mouhamed Cherif Diop, Coordenador do Programa de Proteção Infantil da Tostan, apresentou ao governo e aos participantes o projeto da Tostan para a proteção infantil e a modernização das daaras. Babacar Samb, em representação do governo, apresentou o plano do governo para a modernização das daaras.   

Khadirou Diakhaté, em representação da Federação das Escolas Corânicas, admitiu que, inicialmente, se mostrou cético em relação às iniciativas de proteção infantil da Tostan, mas que agora compreende que os objetivos e a estratégia da Federação estão alinhados com os da Tostan e espera ansiosamente coordenar atividades no futuro. Mame Ouna Thioye, representante da RADDHO (Rencontre Africaine pour la Défense des Droits de l’Homme), falou sobre o trabalho de defesa transnacional da organização na Guiné-Bissau, Mali, Mauritânia e Gâmbia, destacando as implicações regionais deste encontro.  

O impacto da reunião de sensibilização foi duplo. O diálogo aberto demonstrou ao governo que os líderes religiosos e os membros da comunidade estão empenhados em respeitar os direitos das crianças, melhorando as escolas e as condições de vida dos alunos, e serviu para reforçar os laços entre os marabus participantes e os representantes do Estado no avanço do processo de modernização. Mostrou também aos marabus e aos líderes religiosos que ONG como a Tostan e a Anti-Slavery International, bem como os responsáveis governamentais, reconhecem e apoiam os seus esforços.