Os workshops organizados pela Tostan sobre a abordagem baseada nos direitos humanos para o abandono de práticas tradicionais nocivas fazem parte da estratégia nacional para o abandono da mutilação genital feminina (MGF) desenvolvida pelo Governo do Senegal em parceria com UNFPA e UNICEF. A estratégia está enquadrada num Plano de Ação Nacional (2010-2015), que visa sensibilizar para a MGF através do Programa de Empoderamento Comunitário (CEP) da Tostan.
De 5 a 7 de junho de 2014, em Ourossogui, no norte do Senegal, mulheres líderes, jovens, líderes religiosos e membros da sociedade civil reuniram-se num workshop da Tostan para abordar e debater quatro direitos humanos: o direito à saúde, o direito à proteção contra todas as formas de violência, o direito à educação e o direito à não discriminação contra as mulheres.
No primeiro dia do workshop, os 45 jovens presentes apresentaram e explicaram o direito à educação. Seguiu-se ainda um debate em grupo sobre o Plano de Ação Nacional (2010-2015). Um dos participantes, Mamadou Moussa Diaw, membro da Associação Cultural e Desportiva de Matam, quis saber por que razão esta prática deveria ser abandonada. Em resposta a isto, Ousman Sow, um artesão local, afirmou: «Após a formação que recebemos hoje da equipa da Tostan, penso que devemos abandonar a mutilação genital feminina, pois pode causar a morte, complicações durante o parto e doenças como a fístula.»
O segundo dia do workshop foi dedicado às 45 mulheres líderes presentes. Começaram por debater o direito à saúde e o direito à proteção contra todas as formas de violência. Várias mulheres, como Diarata Moussa Dia, que tem 26 anos de experiência em saúde pública, testemunharam em primeira mão os efeitos da MGF. Além disso, Diary Dia, do Hospital de Ourossogui, declarou: «Estou pronta para continuar a sensibilizar as pessoas sobre os efeitos nocivos da MGF. Para assumir toda a responsabilidade, contei a toda a gente quando a minha filha foi vítima de uma gravidez precoce, para mostrar que estou tão empenhada como qualquer outra pessoa.»
O último dia do workshop contou com a participação de 45 líderes religiosos. O dia começou com uma apresentação de Ibrahima Boly, assistente do coordenador regional em Matam, sobre o direito à proteção contra todas as formas de discriminação e todas as formas de violência. Esta apresentação foi seguida pela intervenção de Abou Diack, o Coordenador Regional de Matam, que tomou a palavra para explicar que a mutilação genital feminina (MGF) e o casamento infantil/forçado são normas sociais que não têm qualquer ligação com os ensinamentos do Islão. Alassane Ndiaye Nawel, um professor do Alcorão que condena a prática, acrescentou: «O Alcorão não recomenda a MGF; as pessoas simplesmente não sabem disso.»
De um modo geral, o workshop aprovou várias resoluções destinadas a sensibilizar a população, entre as quais se destaca o envolvimento dos magistrados. Os participantes recomendaram também a realização de ações de sensibilização nas mesquitas e durante as cerimónias religiosas. Os membros da equipa da Tostan afirmaram que todas as resoluções e recomendações do workshop devem ser postas em prática para alcançar o objetivo de abandonar totalmente a mutilação genital feminina no Senegal até 2015.
Artigo de Roland Kongo, assistente do coordenador nacional em Thiès, Tostan
