Numa recente viagem ao Senegal, o Dr. Richard Besser, editor sénior de saúde e medicina da ABC News, encontrou-se com Molly Melching e Demba Diawara, imã e líder espiritual da aldeia senegalesa de Malicounda Bambara. Após conversar com estes dois agentes de mudança, o Dr. Besser reconheceu a complexidade de alterar as normas sociais e os benefícios de utilizar uma abordagem holística e liderada pela comunidade — como a da Tostan — para promover uma mudança social positiva. Continue a ler para saber mais sobre a visão perspicaz do Dr. Besser sobre a abordagem da Tostan.
O Caderno do Dr. Besser: Os direitos das mulheres no Senegal
Por Richard Besser, M.D.
ABC News/Saúde
17 de março de 2011
«Quando toda a gente anda sem roupa, não se dá conta de que está nu.»
Demba Diawara fala por metáforas. Isso torna muito difícil para mim compreendê-lo – isso e o facto de ele falar wolof, uma língua nativa do Senegal. Felizmente, tenho comigo para traduzir Molly Melching, uma mulher de 60 anos natural de Illinois.
A Mollie veste um boubou roxo comprido e óculos de sol. Poderíamos pensar que ela ficaria deslocada nesta pequena aldeia senegalesa, mas, na verdade, não consigo imaginá-la mais à vontade em nenhum outro lugar do mundo. Estamos sentados à sombra de uma grande árvore de nim a conversar com o Demba, um líder religioso idoso, sobre um assunto tabu: a mutilação genital feminina.
Em muitas partes do mundo, a mutilação genital feminina é praticada há milhares de anos. As Nações Unidas estimam que 3 milhões de meninas são submetidas a esta prática todos os anos. A prática é mais comum em algumas regiões de África. O procedimento, geralmente realizado sem qualquer anestesia, consiste na remoção ritual de parte ou da totalidade dos órgãos genitais externos por motivos não médicos. Na sua forma mais grave, o clitóris e os lábios vaginais são removidos e a vagina fica quase totalmente selada. Trata-se de um ato brutal. Não há benefícios médicos na mutilação; pelo contrário, é um procedimento extremamente perigoso e muitas vezes debilitante. Para além da dor e do trauma incríveis do ato em si, as meninas podem morrer de hemorragia e infeção. As complicações são frequentemente para toda a vida. As mulheres correm um risco acrescido de infertilidade, dificuldades no parto e problemas do trato urinário, sendo o pior deles a fístula – uma ligação entre o trato urinário e a vagina. As mulheres com esta complicação sofrem de perdas contínuas de urina e muitas são obrigadas a viver afastadas do resto da aldeia. A tudo isto acresce a impossibilidade de alguma vez terem uma vida sexual gratificante.
Há décadas que os organismos internacionais condenam esta prática e muitos governos a tornaram ilegal, mas há poucos indícios de que essas medidas tenham realmente reduzido o número de meninas submetidas à mutilação genital feminina. Em muitos locais, a prática foi simplesmente empurrada para a clandestinidade…
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