22 de maio de 2014
Dakar, Senegal
As ONG AMREF Health Africa, Handicap International e Tostan, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), o Ministério da Mulher, da Família e da Criança do Senegal e o Ministério da Saúde e da Ação Social do Senegal, organizaram um dia de mobilização social em Ndorna (região de Kolda) sob o tema «Vamos prevenir a fístula».
A fístula obstétrica é uma lesão entre a vagina e a bexiga e/ou o reto, resultante de um parto prolongado e difícil sem intervenção médica imediata. Na maioria dos casos, provoca uma perda contínua de urina e/ou fezes. A fístula obstétrica afeta principalmente as raparigas e mulheres mais vulneráveis que vivem em áreas remotas, longe de qualquer serviço médico.
Na maioria dos casos, o estigma leva as mulheres que vivem com esta condição a esconderem-se e a isolarem-se das suas famílias e comunidades. Com o registo e acompanhamento sistemáticos de cada mulher e rapariga que tem ou teve uma fístula obstétrica, é possível dar passos enormes na melhoria do seu bem-estar e no aumento das hipóteses de sobrevivência dos seus bebés em gravidezes futuras.
Em todo o mundo, especialmente em África e na Ásia, pelo menos dois milhões de mulheres vivem com fístula obstétrica. No Senegal, estima-se que sejam registados 400 novos casos por ano. A prevalência da fístula obstétrica continua elevada nas regiões de Kolda, Tambacounda, Ziguinchor e Matam. A maioria dos casos ocorre quando as raparigas se casam e engravidam ainda muito jovens.
Segundo o Dr. Babatunde Osotimehin, subsecretário-geral das Nações Unidas e diretor executivo do UNFPA,«a fístula obstétrica põe em evidência as desigualdades globais persistentes no acesso aos cuidados de saúde e aos direitos humanos básicos. Chegou a hora de pôr fim à fístula obstétrica e de combater as circunstâncias que a perpetuam, incluindo a pobreza, a falta de acesso aos cuidados de saúde, o casamento infantil e a gravidez precoce.»
Molly Melching, fundadora e diretora executiva da Tostan, salienta a importância da prevenção.«Deve ser dadaprioridade à prevenção da fístula. Fazemos isso através do nosso programa de educação básica, de programasde rádio e de atividades de mobilização social. Sabemos que a fístula resulta do casamento infantil e as pessoas compreendem que, para acabar com esta doença, precisamos de abolir os casamentos antes dos 18 anos.»
Para o Dr. Mor Ngom, diretor regional da AMREF Health Africa na África Ocidental,«para erradicar a fístula é necessário implementar medidas de prevenção nas zonas afetadas, tratar as mulheres que sofrem desta doença e apoiar a sua reintegração nas suas comunidades».
Para combater esta violação do direito humano à saúde, o UNFPA, em conjunto com os seus parceiros, lançou em 2003 a Campanha Global para Erradicar a Fístula. Em 10 anos, foram alcançados grandes progressos; 47 000 mulheres e raparigas foram submetidas a cirurgia reconstrutiva, com o apoio do UNFPA.
A iniciativa para erradicar a fístula obstétrica é implementada pelo UNFPA em parceria com o Ministério da Saúde e da Proteção Social do Senegal, o Ministério da Mulher, da Família e da Criança, os serviços de urologia do Hospital Geral de Grand Yoff e do Hospital Aristide Le Dantec, a Clínica de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Le Dantec e outras ONG. Graças a esta parceria, mais de 600 mulheres foram curadas e puderam retomar as suas vidas.
Sabine Depardé, coordenadora de Saúde, Reabilitação e Proteção da Handicap International, afirmou:«A implementação de um programa de cuidados de saúde e fisioterapia melhora os resultados cirúrgicos e reduz o número de insucessos. O projeto irá implementar atividades de fisioterapiapré e pós-operatória. A reintegraçãopsicossocial das mulheres beneficiárias será uma componente importante implementada pela Handicap International. Ser-lhes-á prestado apoio personalizado para facilitar a sua reintegração nas suas comunidades e para as ajudar a retomar uma atividade geradora de rendimentos.»
Fim
Nota aos editores
O UNFPA é uma agência do sistema das Nações Unidas que trabalha para garantir que todas as gravidezes sejam desejadas, todos os partos sejam seguros e todo o potencial dos jovens seja alcançado. Visite: http://www.unfpa.org
A AMREF é uma organização não governamental africana dedicada à saúde pública, fundada em 1957. A AMREF é uma associação de médicos que viajam de avião por toda a África para prestar cuidados de saúde a populações remotas. Visite: http://amref.org/
A Handicap International está presente no Senegal desde 1996. A missão da associação é melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência e de outros grupos vulneráveis e promover a sua plena participação na sociedade senegalesa. Visite: http://www.handicap-international.fr/en
A Tostan é uma ONG internacional registada nos EUA e com sede no Senegal, cuja missão é capacitar as comunidades africanas para promover o desenvolvimento sustentável e uma transformação social positiva, com base no respeito pelos direitos humanos. A Tostan implementa o seu programa holístico de três anos em seis países da África Ocidental. Para saber mais sobre a Tostan, visite www.tostaninternational.mystagingwebsite.com
Contactos para a imprensa:
Aliou Bassoum: alioubassoum@tostaninternational.mystagingwebsite.com; Tel.: +221 33 820 5589/+221 77 487 95 68
Ndèye Diop Niang: niang@unfpa.org Tel.: +221 77 554 80 42
Sabine Depardé: zig-respsite@hi-sen.org; Tel.: 00221 77 099 08 97
