A 17 de setembro de 2014, pouco mais de 20 pessoas — incluindo representantes da Tostan, o assessor do presidente da Câmara de Kolda, autoridades religiosas, como imãs, e representantes de ONG — reuniram-se para uma reunião de coordenação no gabinete do governador em Kolda. Khalidou Sy, coordenador nacional da Tostan Senegal, abriu a reunião lembrando aos participantes que o prazo estabelecido no Plano de Ação Nacional do Governo do Senegal para abandonar a mutilação genital feminina continua a ser 2015.
Seguiu-se um debate sobre formas de melhorar as estratégias relacionadas com o abandono da mutilação genital feminina (MGF), tais como o registo de todas as comunidades que declararam publicamente o abandono dessas práticas nocivas, seguido do acompanhamento dos seus esforços. Khalidou Sy sugeriu também que os Comités de Gestão Comunitária (CMCs) reforçassem as suas parcerias com os comités de gestão departamentais, que são entidades governamentais, e criassem uma melhor sinergia para que o fluxo de informação decorresse de forma harmoniosa e eficiente entre os dois órgãos. Por fim, salientou que não devem agir separadamente, mas sim num esforço concertado para proteger os direitos das crianças.
A presença de um grupo tão diversificado de pessoas na reunião contribuiu para enriquecer ainda mais os debates e alargar o leque de ideias partilhadas. Por exemplo, Dieynaba Diack, assessora do presidente da Câmara de Kolda, e Moustapha Fall, diretor do serviço regional para a juventude, defenderam a realização contínua de atividades de sensibilização. Nas suas próprias palavras, a Sra. Diack afirmou: «As atividades de sensibilização são vitais para consciencializar as comunidades sobre os efeitos nocivos da mutilação genital feminina e do casamento infantil/forçado.» Apelou a mais esforços para colaborar com organizações de base, como a Tostan, para que se realizem mais atividades que aumentem o impacto da lei.
A importância de envolver as autoridades religiosas também ficou clara durante a reunião. Mohamed Thiam, um representante dos imãs, assegurou ao grupo que as pessoas ouvem e respeitam os líderes religiosos e, por isso, o Estado deve procurar colaborar com eles para os envolver mais profundamente nos esforços para abandonar a mutilação genital feminina (MGF) e o casamento infantil/forçado. Kadidiatou Gano, da Umbrella Support Unit (USU), uma ONG que trabalha em estreita colaboração com líderes religiosos, ex-praticantes da mutilação genital feminina e membros da comunidade para pôr fim à MGF, partilhou a mesma opinião. Com base na sua experiência, as comunidades utilizam o argumento religioso para continuar a perpetuar estas práticas nocivas. Isto não deixa outra alternativa senão angariar mais apoio junto dos líderes religiosos.
Apesar de algumas divergências de opinião, todos os intervenientes saíram com o firme compromisso de dar o seu contributo para que o abandono de práticas nocivas se torne um esforço permanente.
