A 6 de fevereiro de 2014, por ocasião do Dia Internacional pelo Abandono da Mutilação Genital Feminina (MGF), a Tostan juntou-se à Direção da Família do Senegal e a outros parceiros para celebrar o movimento crescente em prol do fim da prática da MGF no Senegal. O tema do dia foi a sinergia entre os grupos – o Governo, a comunidade internacional e a sociedade civil – todos a trabalhar no sentido de pôr fim à prática no país. Com cerca de 300 pessoas presentes, os participantes e oradores refletiram a diversidade dos parceiros envolvidos.
O ponto alto da manhã foi um desfile de crianças que marcharam em direção ao centro juvenil local, onde o evento estava a decorrer em Guediawaye, um subúrbio nos arredores de Dakar. Vestiam camisolas e bonés a condizer e levavam cartazes apelando ao fim da violência contra as mulheres, dos casamentos infantis e forçados e, sobretudo, da mutilação genital feminina.
Entre os oradores homenageados estava Mame Fily, uma jovem selecionada para representar o grupo de jovens manifestantes. Ela apresentou um memorando, declarando o abandono da mutilação genital feminina (MGF) e a proteção dos direitos humanos para todas as pessoas, especialmente meninas e mulheres. Os direitos que ela citou estão no cerne do programa de educação baseado nos direitos humanos da Tostan, tais como o direito de ser protegido contra todas as formas de violência e todas as formas de discriminação. Como parte do seu memorando, ela falou sobre a necessidade de difusão organizada, a abordagem coordenada da Tostan para a partilha de informação, para que o abandono não se limite a indivíduos ou famílias, mas sim atravesse as redes sociais para provocar uma mudança duradoura e significativa.
Para além do memorando da juventude de Mame Fily, contaram-se também com a participação de oradores da comunidade e do Governo. Aminata Sy, uma mulher que foi submetida à mutilação genital feminina quando era criança, explicou que a sua decisão de abandonar publicamente a MGF, juntamente com outros membros da comunidade e com o apoio do Ministério da Mulher, da Família e da Criança, a ajudou a proteger as suas filhas de quaisquer consequências sociais que pudessem advir do facto de abandonar sozinha uma prática de longa data.
Aminata Diallo, deputada na Assembleia Nacional, transmitiu também uma mensagem positiva e afirmou que é importante envolver os líderes religiosos e outros parceiros no combate a esta prática nociva. «Temos esperança de que, até 2015, estejamos perto do nosso objetivo [de abandonar totalmente a mutilação genital feminina no Senegal]. Já percorremos um longo caminho… Não somos contra os costumes e as tradições, apenas contra as práticas nocivas.»
