Entrevista com Kelly Baxter, presidente do Conselho de Administração da Tostan e membro do Conselho de Administração da Tostan Canada
O que o motivou a tornar-se um líder?
Acho que nunca me senti tão motivado para me tornar um líder quanto para fazer a diferença — para me envolver em causas nas quais pudesse dar um contributo significativo. No entanto, ao longo dos muitos anos em que tenho estado envolvido em iniciativas de mudança social, muitas vezes dei por mim em posições de liderança. E acho que a razão pela qual acabei por chegar lá é porque sou apaixonado pelas causas que são importantes para mim, como a Tostan. Trabalho arduamente e adoro reunir pessoas para, juntos, conseguirmos fazer mais do que qualquer um de nós conseguiria sozinho. Para mim, liderança tem realmente a ver com capacitar os outros para darem o seu melhor.
Qual considera que é o principal obstáculo para as mulheres e as raparigas no exercício de funções de liderança?
Penso que um dos maiores obstáculos para as mulheres e as raparigas é a falta de oportunidades. Tive a sorte de crescer numa família em que ambos os meus pais me incentivaram a seguir os meus sonhos. Ambos acreditavam nas minhas capacidades e reforçaram em mim a convicção de que eu poderia fazer ou ser tudo o que quisesse. Tive o privilégio de frequentar uma boa escola, onde não só aprendi, mas também desenvolvi autoconfiança e encontrei a minha voz. Para que as mulheres e as raparigas tenham a oportunidade de liderar, precisam de poder exercer os seus direitos de expressar as suas opiniões, de participar e de trabalhar. Precisam de ser incluídas na tomada de decisões e tratadas como iguais, para que a sua capacidade de liderança tenha a oportunidade de crescer e florescer.
Como podem as mulheres ajudar outras mulheres a alcançar os seus objetivos?
Enquanto mulheres, precisamos de continuar a acelerar os progressos rumo à igualdade de género, para que mais mulheres possam concretizar o seu potencial de liderança. Enquanto sociedade global, precisamos de aumentar o nosso investimento nas mulheres. Atualmente, menos de 2% das doações filantrópicas são destinadas a organizações que promovem a igualdade de género.
Sempre acreditei firmemente que as mulheres podem apoiar-se mutuamente. As mulheres podem apoiar outras mulheres defendendo um mundo com igualdade de género, defendendo os direitos humanos que todos partilhamos e criando mais oportunidades para que as mulheres assumam papéis de liderança e alcancem os seus objetivos.
Que conselho daria à próxima geração de líderes?
Kelly Baxter, Presidente do Conselho de AdministraçãoO meu conselho para a próxima geração de líderes seria: sejam corajosos e assumam a vossa liderança, encontrem a vossa voz e sigam as vossas paixões, não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem e sejam fiéis aos vossos próprios valores. E lembrem-se de que liderança não tem a ver com estar no comando, mas sim com tirar o melhor dos outros.
