Aos 22 anos, decidiu ficar e agora cria postos de trabalho na Guiné-Bissau

Na tranquila aldeia de Fran Kunda Mandinga, na região de Bafatá, na Guiné-Bissau, o som de um facão a cortar bambu ressoa no ar da manhã. É o som da determinação. Aos 22 anos, Buli Sadjo transformou um pequeno pedaço de terra atrás da casa da sua família numa oficina — onde cada vara de bambu que ele fende o aproxima de um futuro que outrora pensava ter de procurar no estrangeiro.

Uma geração presa entre a esperança e a partida

Durante anos, Buli acreditou que a sua única oportunidade de ter uma vida melhor se encontrava para além das fronteiras da Guiné-Bissau. Muitos dos seus amigos partiram para a Europa por rotas perigosas que atravessavam o deserto e o mar. Alguns nunca mais voltaram. Tal como grande parte das zonas rurais da África Ocidental, a Guiné-Bissau enfrenta uma elevada taxa de desemprego juvenil e, em regiões como Bafatá, a migração tornou-se simultaneamente um sonho e uma aposta arriscada.

«Eu costumava pensar que partir era a única solução», recorda Buli. «Não havia emprego e eu não via o que poderia fazer aqui.»

Um pequeno empréstimo, um ponto de viragem

Essa perspetiva começou a mudar em 2023, quando Buli aderiu a uma iniciativa comunitária apoiada pela Tostan e pelos seus parceiros. Através de um projeto financiado pela GIZ no âmbito do Fundo de Estabilização e Desenvolvimento das Regiões Frágeis da CEDEAO, jovens e mulheres de 70 comunidades rurais receberam pequenos empréstimos e formação para criar empresas locais.

Buli solicitou um empréstimo de 50 000 francos CFA— cerca de 80 dólares americanos — e utilizou-o para comprar ferramentas e bambu para o seu primeiro lote de quirrintim, painéis tradicionais para cercas e tetos encontrados em muitas casas da África Ocidental. O bambu é abundante, durável e acessível, o que o torna uma escolha prática tanto para a construção rural como urbana.

Quando transportou os seus primeiros 40 painéis para a capital, Bissau, todos se venderam rapidamente. Depois de cobrir os custos, ganhou mais 80 dólares — duplicando o seu investimento inicial.

«Aquele momento mudou tudo para mim», diz ele com um sorriso discreto. «Percebi que podia construir algo significativo aqui mesmo, com as minhas próprias mãos.»

Construir um futuro a partir dos recursos locais

Encorajado por esse sucesso, Buli expandiu o seu pequeno negócio. Atualmente, emprega dois jovens aprendizes e tornou-se conhecido nas aldeias vizinhas pelo seu trabalho artesanal. O seu negócio de bambu oferece uma alternativa ecológica aos materiais importados e mantém a circulação de rendimentos dentro da comunidade.

Em toda a região de Bafatá, centenas de jovens estão a seguir caminhos semelhantes. O programa que apoiou Buli — implementado pela Tostan em parceria com a SWISSAID, a ADPP, a COPE e a AA— já chegou a mais de 2 000 jovens e 2 000 mulheres, incluindo pessoas que regressaram após terem tentado a migração irregular. Juntos, estão a redefinir o que significa ter oportunidades nas zonas rurais da Guiné-Bissau.

Uma nova história de possibilidades

Buli já não sonha em partir. O seu objetivo agora é expandir o seu negócio de bambu, formar outras pessoas e contribuir para uma economia local mais forte. Para ele, ficar já não é um compromisso — é uma escolha baseada no orgulho e num propósito.

«Quando achas que o teu futuro está apenas noutro lugar», diz ele, «deixas de ver o que já tens. Agora vejo possibilidades em todo o lado.»

Em toda a África Ocidental, jovens empreendedores como Buli estão a provar que as oportunidades podem surgir no próprio país.