A comunidade considera que a adesão aos princípios dos direitos humanos é a melhor forma de garantir o seu progresso sustentável.
A comunidade de Natia participou no programa Tostan entre 2007 e 2010. Através de técnicas de educação não formal, como a narração de histórias, o canto e o debate, 38 participantes adquiriram conhecimentos sobre direitos humanos, higiene e saúde, democracia, resolução de problemas e outros temas fundamentais. Cada participante escolheu um membro da comunidade para partilhar os seus conhecimentos, e toda a aldeia partilhou as novas informações com as comunidades vizinhas.
O chefe da aldeia, Daby Diallo, descreveu algumas das mudanças que a aldeia tem vivido desde o início do CEP, em 2007. «Antes, as pessoas não estavam bem informadas», explica. «Agora, não só estão mais conscientes, como também há muito mais diálogo na aldeia.»
A mudança de mentalidade está longe de ser a única transformação que ocorreu na aldeia. Segundo Diallo, o ambiente local melhorou drasticamente. «A nossa aldeia está muito mais limpa do que costumava estar, graças às campanhas de limpeza que começámos a organizar. Agora também temos um poço e criámos uma horta comunitária com a subvenção comunitária que recebemos da Tostan após termos concluído o programa.» A horta permite que os membros da comunidade vendam produtos a outras aldeias e que poupem parte dos rendimentos num fundo comunitário de microcrédito para futuras iniciativas.
O CMC de Natia, criado na fase inicial do CEP para liderar os esforços de desenvolvimento na aldeia, continua ativo até hoje, anos após o término do programa. Composto por 17 membros da comunidade eleitos democraticamente e atualmente liderado por Bolle Camara, o CMC reúne-se mensalmente para traçar planos futuros para a aldeia, discutir atividades geradoras de rendimento e decidir como investir os lucros de iniciativas como a horta comunitária. Os seus planos futuros incluem a expansão da horta comunitária e o desenvolvimento de um centro médico local.
Ao aconselhar outras pessoas sobre como garantir que o CMC se mantenha ativo e a aldeia dinâmica após o fim do programa, Diallo salienta a importância de se manter fiel aos princípios dos direitos humanos. Para manter a sua relevância para a aldeia, o CMC organiza regularmente workshops de revisão. «Esta é uma excelente forma de garantir que os participantes não se esqueçam do que aprenderam», conclui o chefe.
«Continuamos a organizar revisões de cada sessão do CEP. Temos uma cópia das imagens que foram utilizadas durante as aulas e utilizamo-las para dar continuidade às nossas próprias discussões»
Daby Diallo, chefe da aldeia de Natia, no Senegal.
