Encontro transfronteiriço entre as comunidades senegalesas e gambianas para debater o fim da mutilação genital feminina

A 21 de agosto de 2014, a aldeia senegalesa de Tankon recebeu delegados da Gâmbia para uma reunião transfronteiriça. A equipa da Tostan e as autoridades locais reuniram-se com Oumar Cissé, governador da região de Basse, na Gâmbia, para debater a prática contínua da mutilação genital feminina (MGF) em comunidades situadas na fronteira entre o Senegal e a Gâmbia e para harmonizar políticas e ações. Profissionais de saúde, serviços governamentais e organizações parceiras também estiveram presentes.  

Nesta ocasião, Khalidou Sy, coordenador nacional da Tostan Senegal, destacou a necessidade de «uma sinergia entre os intervenientes locais e uma abordagem transfronteiriça», com o objetivo de sensibilizar para as práticas nocivas, contribuir para a promoção da saúde das mulheres e das crianças e promover «a coexistência pacífica entre os dois países irmãos». O ilustre deputado do Parlamento da Gâmbia, Kassim Diallo, apelou aos líderes religiosos e tradicionais para que se envolvessem neste movimento tanto quanto possível e para que harmonizassem as suas políticas relacionadas com esta questão.

Os profissionais de saúde presentes na reunião falaram longamente sobre as consequências nocivas da mutilação genital feminina (MGF) para a saúde das mulheres e das raparigas. Babacar Sy, de um centro de orientação para adolescentes em Kolda, no Senegal, afirmou acreditar que é necessário partilhar os argumentos médicos contra a MGF com as adolescentes e as grávidas, a fim de evitar a «MGF no berço»: quando a mutilação é realizada apenas algumas semanas após o nascimento.

Após debates frutíferos, os participantes na reunião formularam várias recomendações, entre as quais se incluíam a revitalização das relações entre os Comités de Gestão Comunitária (CMC) das comunidades situadas ao longo da fronteira, a harmonização da legislação de ambos os países através de um intercâmbio entre os parlamentares senegaleses e gambianos, o envolvimento de líderes religiosos, a colaboração com as escolas, a criação de mais centros de orientação para adolescentes e a partilha de argumentos médicos. A Assembleia Nacional do Senegal aprovou uma lei que proíbe a prática da mutilação genital feminina (MGF) em 1999. A Gâmbia, por outro lado, não possui nenhuma lei específica que a proíba; no entanto, existem leis que protegem os direitos das mulheres e das crianças.

Para encerrar a reunião, o governador da região de Basse manifestou interesse numa «extensão do Programa de Empoderamento Comunitário (CEP) da Tostan a outras partes da Gâmbia, a fim de impulsionar as mudanças [sociais] necessárias». Afirmou ainda acreditar que «o futuro é promissor com a nova geração que está consciente» dos efeitos nocivos da mutilação genital feminina.

Estas reuniões constituem uma boa oportunidade para que as autoridades administrativas, o pessoal da Tostan nos gabinetes de coordenação nacionais e regionais e as comunidades de diferentes países se reúnam e encontrem soluções consensuais com vista a uma mudança positiva. Permitem também debater formas de promover a colaboração entre as partes interessadas e a harmonização da legislação nestes países.

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