Num artigo da ABC News publicado a 17 de março, o Dr. Richard Besser, editor sénior de saúde e medicina da ABC News, escreve sobre a sua recente experiência com a Tostan no Senegal. O artigo começa com o Dr. Besser a relatar uma conversa que teve com Molly Melching, fundadora e diretora executiva da Tostan, e Demba Diawara, imã e líder espiritual de Malicounda Bambara. O tema da conversa foi a mutilação genital feminina (MGF).
Depois de se informar melhor sobre o movimento para acabar com a mutilação genital feminina (MGF) em África, o Dr. Besser concluiu que, embora as abordagens impostas de cima para baixo — como as leis que criminalizam a MGF — dissuadam algumas pessoas de continuar com essa prática tradicional nociva, são as abordagens respeitosas lideradas pela comunidade, como a da Tostan, que estão a gerar a mudança mais sustentável. Ele observou: «O foco da Tostan não é a mutilação genital feminina; é a alfabetização, a resolução de problemas, a saúde das mulheres, a negociação e os direitos humanos.» Em vez de atacar uma prática, a Tostan incentiva as comunidades a aprenderem sobre os seus direitos humanos e a iniciarem um diálogo sobre o que consideram serem objetivos construtivos para o futuro da sua comunidade.
O Dr. Besser prossegue, afirmando que as participantes do Tostan «são capacitadas para aplicar os seus conhecimentos e tomar decisões que melhorem as suas vidas. Não há qualquer condenação das tradições, crenças ou práticas. As mulheres aprendem as consequências da mutilação genital feminina para a saúde e estabelecem a ligação entre os direitos humanos e o direito à saúde.» A decisão de abandonar a prática surge, assim, de dentro da comunidade e é tomada pela própria comunidade.
Quando questionado sobre como se sentiu ao perceber que a prática da mutilação genital feminina era prejudicial para as suas filhas, Demba respondeu: «Quando toda a gente anda sem roupa, não se dá conta de que está nua.» Confusa com esta resposta, Melching esclareceu o significado por trás da frase de Demba: «Ele está a dizer que não havia consciência de que o que estavam a fazer era prejudicial. As suas filhas foram submetidas à mutilação porque era isso que se fazia para garantir uma boa vida.» Ela explicou: «Quando descobriram que não era exigido [pelo Islão] e que era perigoso para a saúde, a mudança foi fácil.»
