No coração da região de Bafata, na Guiné-Bissau, um exemplo marcante de mudança impulsionada pela comunidade está a transformar vidas. Graças a líderes como Maimuna Djau e ao Comité de Gestão Comunitária (CMC) de Tabato, uma recente campanha de vacinação contra a malária demonstra como a educação em direitos humanos capacita as comunidades a assumirem o controlo do seu bem-estar, transformando o conhecimento em ações que salvam vidas.
A malária continua a ser uma ameaça, causando mais de 600 000 mortes por ano em todo o mundo, afetando de forma desproporcional as crianças africanas com menos de cinco anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Na Guiné-Bissau, onde a malária é responsável por mais de 22 % das consultas médicas, a urgência da prevenção é crítica. Em resposta a esta situação, o Ministério da Saúde Pública lançou uma campanha nacional de vacinação dirigida a crianças dos 0 aos 9 anos.
Em Tabato, esta iniciativa tornou-se uma missão liderada pela comunidade. Munidos dos conhecimentos adquiridos no Programa de Empoderamento Comunitário (CEP), os membros do CMC envolveram diretamente as famílias, enfatizando que a vacinação das crianças é um direito fundamental e um passo crucial para acabar com as mortes evitáveis.
A história de Maimuna Djau ilustra o papel fundamental que os indivíduos desempenham na mudança social. Inicialmente hesitante em vacinar os seus filhos, a sua perspetiva mudou depois de participar nas sessões de educação em direitos humanos da Tostan.
«Aprendi que vacinar os meus filhos significa respeitar o seu direito à saúde», reflete ela.

Maimuna não se limitou a transformar as suas próprias convicções. Tornou-se uma defensora ativa, organizando reuniões comunitárias e dirigindo-se às mães que partilhavam as suas preocupações iniciais. Em colaboração com líderes do CMC, como Aladje Baio, ela lembrou às famílias o impacto devastador da malária na sua comunidade.
A sua liderança deu frutos. No dia da vacinação, os esforços de Maimuna ajudaram a garantir uma forte afluência, contribuindo para a imunização de 111 crianças — 60 meninas e 51 meninos. Este sucesso ilustra como indivíduos empoderados podem mobilizar as suas comunidades, transformando a educação em ação coletiva e em resultados que salvam vidas.
A história de Tabato demonstra o poder da liderança de base. Ao promover uma compreensão profunda da saúde como um direito humano, a abordagem da Tostan capacita as comunidades para que assumam o controlo do seu bem-estar.
Na Guiné-Bissau e noutros locais, iniciativas lideradas pela comunidade como estas não só combatem a malária, como também constroem um legado de resiliência, empoderamento e esperança.
