Megan White Mukuria, Molly Melching, a Dra. Musimbi Kanyoro e Deogratias Niyizonkiza participaram no painel sobre «Os direitos das mulheres em África», realizado na cidade de Nova Iorque na passada terça-feira.
Três fundadoras de organizações sem fins lucrativos de renome partilharam, com grande detalhe, as suas experiências em África que as inspiraram a defender os direitos das mulheres, num painel de debate realizado no Lycée Français de Nova Iorque na passada terça-feira. Numa conversa moderada pela presidente e diretora executiva do Global Fund for Women, Dra. Musimbi Kanyoro, Megan White Mukuria, da ZanaAfrica, Deogratias Niyizonkiza, da Village Health Works, e Molly Melching, da Tostan, falaram do seu trabalho contínuo como fundadoras e diretoras executivas em vários países africanos, bem como da importância de criar abordagens sustentáveis para empoderar mulheres e raparigas.
A Dra. Kanyoro, do Quénia, centrou a discussão nos três líderes como «agentes de mudança», com «ideias que fazem a diferença e soluções que salvam vidas». Ela quis saber quais foram os seus momentos de revelação e como conseguiram superar os momentos mais difíceis.
Mukuria fundou a ZanaAfrica para empoderar as mulheres e as raparigas quenianas depois de perceber que muitas raparigas não frequentavam a escola devido à menstruação.
“«Os pensos higiénicos são a segunda maior despesa mensal delas», afirmou Mukuria. Ela explicou que quatro em cada cinco raparigas na África Oriental não têm meios para comprar pensos higiénicos. A ideia de Mukuria de fabricar e distribuir pensos a preços acessíveis criou oportunidades para as raparigas frequentarem a escola, com a esperança de diminuir o número de raparigas que faltam pelo menos seis semanas às aulas por ano. Ela também ajudou a elaborar uma política governamental no Quénia para garantir que os pensos fossem tão acessíveis às alunas como os lápis.
Mukuria pretendia analisar uma intervenção de baixo custo que proporcionasse os melhores resultados em termos de educação e saúde. A ZanaAfrica também oferece educação para a saúde, em parte porque Mukuria percebeu que muitas raparigas não compreendiam por que razão menstruavam.
«As raparigas têm direito a respostas às suas verdadeiras perguntas», afirmou Mukuria. «Quando uma rapariga ou mulher consegue tomar as suas próprias decisões, consegue assumir o controlo da sua vida.»
Para Niyizonkiza, o momento mais marcante foi quando uma mãe se aproximou dele, dizendo que tinha perdido quatro filhos e que tinha a certeza de que o único filho que lhe restava iria morrer.
«Naquele momento, percebi que não podíamos dar um passo atrás», afirmou Niyizonkiza a respeito da Village Health Works, uma organização não governamental sediada no Burundi que ele fundou.
«Aproximei-me daquelas mães que estavam a sofrer», disse ele. «O que podemos fazer juntos?»
A Village Health Works não só dispõe de um centro de saúde especializado em cuidados pré-natais e neonatais, como também se dedica à educação, à segurança alimentar e ao desenvolvimento económico.
«Tenho visto resiliência nas zonas rurais do Burundi», afirmou Niyizonkiza. «Se trabalharmos em conjunto com as comunidades locais, verão mudanças rapidamente.»
Tal como Mukuria, quando Melching chegou ao Senegal há mais de 40 anos, também se preocupava com o facto de as crianças não frequentarem a escola e de não existirem atividades de aprendizagem participativas. Ela criou um centro para crianças e integrou a cultura africana no currículo. O Centro Demb Ak Tey teve tanto sucesso que deram início a um programa de rádio complementar.
«Estávamos numa comunidade e percebi que as pessoas tinham estado a ouvir a rádio e começaram a [aplicar] as informações que estavam a aprender», disse Melching. Foi então que ela percebeu que «talvez exista um tipo diferente de educação».
Com sede em Dakar, o Programa de Capacitação Comunitária da Tostan expandiu-se para a Guiné, a Guiné-Bissau, a Mauritânia, o Mali e a Gâmbia.
«O nosso programa assenta na cultura tradicional africana e numa educação baseada nos direitos humanos, que, tenho o prazer de dizer, salvou muitas vidas e empoderou homens e mulheres», afirmou ela.
Mais de 7 000 comunidades abandonaram a prática da mutilação genital feminina (MGF) em toda a África graças ao programa inovador e liderado pela comunidade da Tostan. Melching explicou que criar uma organização não é fácil.
«Como é que enxergamos nos momentos difíceis?», repetiu Melching a pergunta do Dr. Kanyoro. «Já passei por muitos.»
Ela contou a história de Boubou Sall, em Malème Niane, na região de Tambacounda, no Senegal, descrevendo-o como «um homem ligado ao movimento para acabar com a mutilação genital feminina». Há muitos anos, Sall teve uma filha que pensava ter morrido devido a complicações decorrentes da malária. Só quando o programa da Tostan foi convidado a visitar a sua aldeia é que ele percebeu que ela poderia ter morrido de tétano, em consequência da mutilação genital feminina. Este ano, Melching participou numa das várias declarações comunitárias a favor do abandono da MGF no Senegal. A neta de Sall, Mariama Kabor, facilitadora do CEP em Soutouta, participou na declaração.
«Isso dá-me toda a força e esperança», disse Melching.
O painel «Direitos das Mulheres em África» foi organizado pela Yale Alumni Nonprofit Alliance e pelo Project Redwood da Universidade de Stanford. A Raising Change patrocinou o evento.
Foto e texto de Jenny Cordle, Assistente de Comunicação
