Ndimaagu, uma palavra em pulaar que significa «dignidade», é o nome de um novo programa da Tostan que está a ser implementado em comunidades do Senegal, em parceria coma PATH. Lançado nos dias 1 e 2 de abril na região de Tambacounda, no Senegal, o projeto visa prevenir a violência de género e doméstica e será integrado no nossoPrograma de Empoderamento Comunitário(CEP) em 42 comunidades na área de Goudiry e em 13 comunidades em Mouderi.
No Senegal, a violência doméstica continua a ser amplamente aceite. O últimorelatório DHS sobre o Senegal, publicado em 2012, revelou que 60% das mulheres consideram justificável que um homem agrida fisicamente a sua esposa por pelo menos um dos motivos sugeridos (queimar comida, discutir com ele, sair sem lhe dizer, negligenciar os filhos ou recusar-se a ter relações sexuais com ele).
Em Tambacounda, a região onde este novo projeto será implementado pela primeira vez, quase metade (46,5 por cento) das mulheres entrevistadas acredita que um homem tem o direito de bater na mulher se ela queimar a refeição que está a preparar para ele.
O nosso Programa de Capacitação Comunitária, com a duração de três anos, recorre à educação não formal para ajudar os participantes a compreender melhor os seus direitos humanos, incluindo o direito de viver livres de todas as formas de violência. Para além das sessões letivas já existentes sobre direitos humanos, democracia e resolução de problemas, o Projeto Ndimaagu irá incorporar mais dez sessões letivas centradas na questão do género.
O projeto incluirá também formações sobre prevenção da violência destinadas às autoridades locais e aos líderes tradicionais e religiosos, além de se centrar na criação de parcerias entreos Comités de Gestão Comunitária(CMC), as organizações não governamentais, as instituições governamentais, os líderes comunitários e os prestadores de serviços que atuam na resposta à violência de género no Senegal.
No lançamento do projeto em Goudiry, um representante do Governo do Senegal, o Prefeito Adama Camara, afirmou:«A violência de género é uma questão que consta da agenda do governo, mas o trabalho de ONG como a Tostan consegue chegar às populações locais. Convido todos os chefes de aldeia a colaborarem com os facilitadores da Tostan no terreno para concretizar a mudança que pretendem promover.»
Coumba Sira Diarra, presidente da Associação de Mulheres, afirmou:«Este projeto, centrado na violência de género, destina-se a nós, mulheres. Sabemos que o papel das mulheres irá mudar graças à equidade na distribuição de recursos e na tomada de decisões que ele irá trazer.»
Espera-se que este projeto contribua para a redução da prevalência da violência de género e doméstica na região e melhore a igualdade de género no acesso e controlo dos recursos, bem como na tomada de decisões a nível comunitário.
O Projeto Ndimaagu será inicialmente implementado em 55 comunidades no Senegal.
