Este é um resumo traduzido do artigo «Una pena contra la emigración», de Alberto Penades de la Cruz, publicado no El País.Leia o artigo completo em espanhol.
Na sequência da primeira condenação de uma mulher em Espanha pela prática da mutilação genital feminina (MGF), Penades analisa alternativas à pena de prisão para reduzir a taxa de MGF no país.
Abordar a questão da mutilação genital feminina (MGF) é muitas vezes difícil devido à natureza complexa desta prática. A MGF pode ser vista como uma norma social. A prática é liderada pelas mulheres nas comunidades, e as famílias realizam-na por amor às suas filhas, acreditando que lhes trará benefícios. A prática é frequentemente vista como um requisito para o casamento e acredita-se que torna as mulheres «puras».
Um modelo de abandono da mutilação genital feminina (MGF) implementado pela ONG Tostan tem tido sucesso no Senegal, e a organização espera acabar com a MGF nesse país até 2015. Mais de 6 000 comunidades aderiram a declarações nas quais se comprometeram a abandonar a prática. O segredo reside no facto de as mães saberem que, após o abandono da prática, as suas filhas poderão casar-se com homens pertencentes aos grupos que também abandonaram a prática.
Em Espanha, o governo deveria promover mais ações de educação familiar e sensibilização da população para contribuir para o fim desta prática. A questão é complexa e não há soluções rápidas, mas é evidente que a prisão não é a resposta.
