Uma lesão no parto que poderia ter sido evitada deixou Alima Malinké retraída e isolada na sua aldeia de Zanso, na região de Koulikoro, no Mali. Após uma intervenção específica da Tostan e do UNFPA, ela está a recuperar o seu lugar na comunidade — e a sua história lança luz sobre um problema de saúde que, com demasiada frequência, fica oculto nas zonas rurais da África Ocidental.

Alima Malinké desfruta de um momento de alegria com o marido e os filhos na sua aldeia, após ter recebido tratamento para a fístula obstétrica
Fístula obstétrica, uma lesão evitável durante o parto, ocorre quando um trabalho de parto prolongado ou obstruído provoca uma abertura entre o canal de parto e a bexiga ou o reto. Nas zonas rurais da África Ocidental, onde o acesso a cuidados médicos atempados é limitado, as mulheres que desenvolvem fístula enfrentam frequentemente complicações de saúde graves — e isolamento social. Muitas afastam-se da vida pública, com medo do estigma e da rejeição. O que começa por ser um problema médico pode rapidamente tornar-se uma crise de dignidade.
A história de Alima começou como a de muitas mulheres da sua comunidade. Casou-se aos dezassete anos e tornou-se mãe pouco tempo depois. As suas duas primeiras gravidezes decorreram sem complicações, mas durante a terceira, complicações no parto deixaram-na com incontinência — uma condição que, a princípio, ela não compreendeu.
«Apesar do apoio da minha família», recorda Alima, «a minha autoestima estava tão baixa que deixei de ir ao mercado. Não queria estar perto das pessoas. Até a comida que cozinhava recebia reações contraditórias — alguns comiam-na, outros mantinham-se afastados.» Ela faz parte de uma realidade mais ampla: mulheres em todo o Mali que enfrentam o isolamento e a vergonha devido a lesões no parto que poderiam ter sido evitadas.
Em Zanso, tal como em muitas aldeias rurais, o custo e a distância para aceder ao tratamento estavam fora do alcance da sua família. Mas a mudança aconteceu quando a Tostan, em parceria com o UNFPA, começou a trabalhar com os agentes de saúde locais para identificar e apoiar as mulheres que vivem com fístula obstétrica. Os agentes de saúde comunitários visitaram cada família, garantindo que ninguém fosse deixado para trás. Quando conheceram a Alima, ouviram a sua história — com empatia e respeito.
Para além da resposta médica, a abordagem comunitária da Tostan desempenhou um papel fundamental no contacto com mulheres como Alima. Através das suas atividades de mobilização social, a organização colaborou com facilitadores locais para identificar casos urgentes, sensibilizar a população para condições estigmatizantes, como a fístula, e promover a compaixão e o diálogo nas aldeias. Ao envolver comunidades inteiras, estes esforços ajudaram a garantir que nenhuma mulher ficasse isolada — e que a recuperação fosse além da cura física, abrangendo a dignidade, a autoconfiança e a reintegração social.
Pouco tempo depois, Alima e outras mulheres das aldeias vizinhas foram encaminhadas para o hospital regional de Koulikoro, onde receberam tratamento gratuito e de alta qualidade.
«Recebemos redes mosquiteiras, comida e um lugar seguro para ficar», diz ela. «O nosso transporte foi pago e fomos tratados com gentileza e respeito.» Após a cirurgia, a vida de Alima começou a mudar. «Já não sinto dores», diz ela em voz baixa, «e consigo sorrir novamente.»
À medida que regressava à sua aldeia, a confiança de Alima foi crescendo. Começou a participar em debates em grupo, a assistir a cerimónias e a restabelecer o contacto com vizinhos que antes mantinham a distância. Hoje, ela é o exemplo perfeito tanto da resiliência pessoal como do poder dos cuidados prestados pela comunidade.
Por todo o Mali, as parcerias entre a Tostan, o UNFPA e as redes comunitárias continuam a trazer esperança a mulheres como Alima. Cada mulher que se recupera representa mais do que um corpo restaurado — ela personifica o compromisso de uma comunidade com a compaixão, a igualdade e a dignidade para todos.
Nas palavras de Alima:
«Antes, sentia-me sozinho. Agora, sinto-me novamente parte do mundo.»

Alima Malinké recupera a confiança, caminhando e sorrindo com os amigos na sua aldeia.
