No âmbito do Projeto Prisional da Tostan, os reclusos de cinco prisões no Senegal participam numa versão adaptada do Programa de Capacitação Comunitária (CEP). Durante as sessões letivas, aprendem sobre os seus direitos humanos, democracia, saúde e higiene, alfabetização e matemática, além de receberem formação prática em competências e gestão de projetos que os ajudarão a reintegrar-se melhor na sociedade após a libertação. Recentemente, a Tostan ofereceu uma formação em sapateiro numa das prisões participantes, a prisão juvenil de Fort B, em Dacar, com os principais objetivos de proporcionar uma atividade construtiva aos reclusos e ensinar aos jovens participantes competências úteis para o futuro.
Em colaboração com a coordenadora do Projeto Prisional, Aïssatou Kébé, um sapateiro profissional local, Mamadou Seck, conduziu as sessões de formação quinzenais. Quinze reclusos, com idades entre os 13 e os 18 anos, participaram e aprenderam as diferentes etapas da confeção de calçado, tais como traçar linhas, cortar, colar, encher, fazer os acabamentos e criar desenhos e padrões. Esta formação não só ensinou aos participantes um ofício, como também serviu como atividade geradora de rendimentos; os participantes puderam ficar com os lucros obtidos com a venda do calçado.
Para além de ensinar o processo de fabrico de calçado, Mamadou também abordou o negócio do calçado, salientando, em particular, a importância de compreender a evolução da moda e a obrigação do sapateiro de renovar constantemente o seu stock. Estas discussões garantiram que os reclusos adquirissem não só competências técnicas no fabrico de calçado, mas também os conhecimentos necessários para gerir um pequeno negócio. Este conhecimento adicional ajudará os participantes, que de outra forma sairiam da prisão com poucas competências, a ganhar dinheiro através do seu negócio e, idealmente, a evitar a reincidência.
Ao falar sobre a formação em sapateiro, um recluso afirmou que não era nem fácil nem difícil – para ele, este ofício tem a ver com criatividade, é uma arte. Referiu que o mais importante é a vontade de se empenhar para ter sucesso. Outro recluso afirmou que a sapatearia é um ofício cheio de potencial e muito diferente das atividades ilícitas em que se envolvia antes da sua detenção. Referiu ainda que formações como estas são importantes porque ajudam os reclusos a refrescar as competências que já possuem e a adquirir novas enquanto estão na prisão, em vez de ficarem ociosos.
Visto como uma fonte de inspiração e um modelo a seguir pelos reclusos, Mamadou Seck encorajou e motivou os participantes a reconhecerem que a vida na prisão é apenas um desafio a superar. Considerou-os muito talentosos e aconselhou-os a aprenderem com os seus erros, a erguerem a cabeça com confiança, a levantarem-se e a fazerem tudo o que pudessem para avançarem rumo a um futuro promissor. Impressionado com o potencial destes jovens, está disposto a contratar os participantes da formação que estejam interessados em trabalhar com ele assim que forem libertados.
Texto de Maïmouna Sougoulé, assistente do Projeto Prisional, Tostan
