Todas as sexta-feira, partilharemos a história de um membro da equipa da Tostan. O vasto leque de pessoas que contribuem para a Tostan traz consigo uma perspetiva única sobre o desenvolvimento comunitário e utiliza os seus talentos e conhecimentos de formas importantes para tornar os nossos programas possíveis.
Quando Lamin Fatty me conta a história do seu tempo na Tostan, essa é também a história da Tostan na Gâmbia. Lamin foi recrutado em 2006, quando a Tostan começou a implementar os nossos programas na Gâmbia. Foi contratado como supervisor, o elo fundamental no terreno entre o Coordenador Nacional e os facilitadores que conduzem as sessões do Programa de Empoderamento Comunitário (CEP) nas comunidades.
O Lamin tem formação na área do desenvolvimento e um interesse em trabalhar neste campo, o que o tornou um grande trunfo para a Tostan. «Antes de entrar para a Tostan, frequentava uma escola chamada Instituto de Desenvolvimento Rural (RDI), em Mansakonko. Era um curso de dois anos em desenvolvimento rural integrado. Um dia, recebi uma chamada do nosso diretor a informar-me sobre uma organização internacional que pretendia lançar programas na Gâmbia.»
Até então, Lamin Fatty tinha passado a maior parte da sua vida profissional a trabalhar na área da comunicação. Começou por trabalhar como jornalista num jornal diário da Gâmbia e, mais tarde, como assistente de comunicação, antes de ingressar na Tostan Gâmbia como supervisor.
A estratégia do programa Tostan para promover a mudança social assenta na divulgação de novas informações por comunidades interligadas, pelo que a experiência de Lamin em comunicação é especialmente relevante. Lamin acredita que a comunicação é fundamental para a mudança social: «Sem comunicação, não haveria desenvolvimento. O desenvolvimento consiste em tomar decisões e pô-las em prática. Não é algo que se possa fazer isoladamente. A comunicação é importante para que todos os parceiros e partes interessadas tomem essas decisões em conjunto.»
Para além de supervisionar a implementação do CEP no terreno, Lamin tem contribuído para o sucesso dos programas da Tostan através dos meios de comunicação locais na Gâmbia. Recentemente, participou numa atividade de formação sobre realização cinematográfica no vizinho Senegal. Fala com entusiasmo sobre o quão poderoso o cinema pode ser como ferramenta de desenvolvimento: «Antes de contarmos histórias sobre as pessoas, deixemos que elas se coloquem diante de uma câmara e contem a sua própria história!» Durante a formação, Lamin integrou uma equipa que criou um filme intitulado «The Crossing». Aprendeu a produzir o som para o filme, a utilizar a câmara, a realizar e a traduzir do mandinga, a sua língua materna. «The Crossing» e outros dois filmes realizados durante esta formação serão lançados oficialmente em outubro deste ano.
Lamin testemunhou em primeira mão as mudanças provocadas pela divulgação da informação, através de várias declarações públicas que tiveram lugar na Gâmbia desde que começou a trabalhar com a Tostan – encontros que ele cita como uma fonte constante de inspiração. O impacto destas declarações apanhou-o de surpresa: «Quando começámos, nunca esperei que tantas pessoas abraçassem a abordagem da Tostan para pôr fim às normas sociais prejudiciais. Fiquei inspirado pelos participantes, quando vi as comunidades a demonstrarem o seu forte empenho em acabar com estas tradições. Para mim, isto foi quase um milagre! Mesmo para os nossos facilitadores, não foi fácil falar sobre estes temas no início. Eu costumava dizer: “Isto faz parte do nosso trabalho e é um dos nossos objetivos. Não podemos alcançá-lo sem abordar temas difíceis.”
Sete anos depois, Lamin afirma que alguns dos aspetos mais gratificantes do seu trabalho são as fortes relações profissionais que construiu dentro da Tostan. «Os membros da equipa são como membros da família, e isso é algo que aprecio na Tostan. Onde quer que vamos, seja na Gâmbia, no Senegal ou mesmo na Somália, somos como uma família. Acho que este é um dos fatores que contribui para que consigamos atingir os nossos objetivos. Precisamos de nos apoiar e cuidar uns dos outros.»
Por Mirjam Granrot, assistente do coordenador nacional na Gâmbia
