HARGEISA, SOMALILÂNDIA, 22 de novembro de 2009 — Centenas de representantes de 20 comunidades da Somalilândia fizeram história no domingo ao reunirem-se no Liberty Stadium, na Somalilândia, com o apoio da Tostan, da UNICEF e do Governo da Somalilândia, para declarar coletivamente a sua decisão de abandonar todas as formas de mutilação genital feminina (MGF).
Após participarem no Programa de Empoderamento Comunitário (CEP) da Tostan, com a duração de três anos e ministrado em língua somali, sobre democracia, direitos humanos, saúde, resolução de problemas, alfabetização e competências de gestão, 14 aldeias participantes no CEP da Tostan e 6 comunidades vizinhas tomaram a decisão coletiva e histórica de abandonar a prática da mutilação genital feminina.
Centenas de membros da comunidade deslocaram-se a Hargeisa para assistir à cerimónia de declaração e apreciar as canções, danças e sketches teatrais apresentados por inúmeros grupos de jovens e comunitários. Entre os presentes para aplaudir esta decisão histórica encontravam-se representantes do Governo da Somalilândia, incluindo o Ministro dos Assuntos Familiares e do Desenvolvimento Social; a SUNGO Umbrella, a Nagaad e outras associações locais de mulheres que têm trabalhado há muitos anos na área para promover o fim da MGF; líderes comunitários e religiosos locais; o pessoal da Tostan; o Representante e uma delegação da UNICEF-Somália; e uma delegação das turmas da Tostan e membros do governo do país vizinho, o Djibuti. Cheikh Youssouf Abdi, um líder religioso local de Hargeisa em representação do Ministério da Religião, aproveitou a oportunidade para felicitar publicamente e dar o seu apoio à decisão das 20 comunidades, reiterando no seu discurso que a MGF não é um requisito do Islão, uma crença que tem contribuído para a perpetuação da prática tanto na Somália como à escala internacional.
Mutilacão genital feminina na Somalilândia
O Programa de Empoderamento Comunitário (CEP) da Tostan foi implementado na Somália, em colaboração com a UNICEF, a Organização Cultural e Desportiva da Somalilândia (SOCSA) e o Governo da Somalilândia, e com o generoso apoio da Fundação da Família James R. Greenbaum, Jr., entre 2006 e 2009, em resposta às necessidades prementes do país. Em 1996, a UNICEF estimou a taxa de alfabetização entre os homens em 36% e entre as mulheres em 14% da população e, de acordo com estatísticas recentes da UNICEF, a mutilação genital feminina (MGF) é praticada em quase 98% das mulheres somalis, sendo que 80% são submetidas à infibulação, a forma mais grave.
«…um passo decisivo no processo que conduz ao abandono total da mutilação genital feminina na Somalilândia.»
Segundo o Ministro dos Assuntos Familiares e do Desenvolvimento Social, a declaração representa «um passo decisivo no processo que conduz ao abandono total da mutilação genital feminina na Somalilândia». A representante da UNICEF na Somália, Rozanne Chorlton, encorajou igualmente os membros da comunidade a divulgarem o seu exemplo a outras pessoas no país e reafirmou o apoio contínuo da UNICEF às comunidades nas suas ações em prol da proteção das crianças.
Um movimento internacional crescente para abandonar a mutilação genital feminina
As repercussões desta decisão liderada pela comunidade têm ressonância internacional, afetando populações nos países vizinhos e comunidades da diáspora em todo o mundo. Como salientou Edna Adan Ismail, fundadora e diretora do Hospital Maternidade Edna Adan, em Hargeisa, no seu discurso durante a declaração, o seu exemplo corajoso contribuirá para acelerar um movimento internacional crescente que visa pôr fim à mutilação genital feminina e promover uma melhor saúde para as raparigas e as mulheres. Kadra Awaleh, representante do Ministério da Mulher do Governo do vizinho Djibuti, também agradeceu às comunidades pelos seus esforços, afirmando que a declaração servirá de exemplo para as comunidades que participam no programa Tostan-UNICEF no Djibuti.
O Programa de Capacitação Comunitária da Tostan será alargado a mais 42 comunidades na Somália em 2010.
