Thiès, Senegal — A 10 de novembro de 2025, o Centro de Formação Tostan em Thiès organizou o Dia da Memória e da Transmissão “Démb, Tey ak Ëllëg” uma expressão em wolof que significa «Ontem, Hoje e Amanhã». Mais do que uma simples expressão de tempo, reflete a forma como a sabedoria da comunidade transcende as gerações — como as lições do passado continuam a orientar o presente e como as experiências de hoje preparam o terreno para a liderança de amanhã.
«Démb» presta homenagem àqueles que abriram caminho para o diálogo e a aprendizagem coletiva. «Tey» celebra as pessoas que levam este trabalho por diante todos os dias. «Ëllëg» olha para as novas gerações que irão herdar, enriquecer e dar continuidade a esta jornada partilhada. Juntas, elas mostram que a transformação não é linear, mas sim entrelaçada — construída sobre a memória, alimentada pela aprendizagem partilhada e renovada a cada geração.

Facilitadores no centro da transformação
A primeira sessão centrou-se nos facilitadores — aqueles que trabalham mais de perto com as comunidades, orientando a aprendizagem e o diálogo com cuidado e respeito.
Entre os participantes do painel contavam-se a Sra. Yè Korotoumou Diarra, pioneira na alfabetização comunitária no Mali e ex-supervisora da Tostan; Fatoumata Madina Baldé, uma facilitadora e supervisora dedicada da Guiné-Bissau , conhecida pela sua liderança centrada na comunidade; Mamadou Ndao, um supervisor jovem mas profundamente empenhado de Fourdou Baïla, no Senegal; e o Exmo. Mahamadou Ceesay, um antigo facilitador na Gâmbia e agora presidente do Conselho da Região de Basse.
Juntos, eles destacaram uma convicção comum: a escuta é a ferramenta mais poderosa do facilitador. Escutar para compreender as histórias da comunidade, para aprender com a sabedoria local e para transmitir conhecimento com humildade.

Falaram também com franqueza sobre os primeiros tempos — momentos em que o cepticismo era grande, em que temas delicados exigiam paciência ou em que os debates culturais exigiam tacto e neutralidade. Esses desafios, refletiram, ajudaram-nos a crescer como mediadores e fortaleceram as suas relações com as comunidades.
Mobilizar as comunidades

A segunda sessão explorou a forma como as comunidades se mobilizam em torno de visões comuns.
Oradores como Doussou Sissao, do Senegal — conhecido por liderar uma das primeiras marchas comunitárias em prol da dignidade e dos direitos em Tambacounda — e o imã Abdoulaye Ba, de Kolda — um líder religioso formado em ensinamentos favoráveis às crianças — destacaram a importância do diálogo e da confiança.
Da Guiné-Bissau, Aua Seidi Kane, uma das primeiras defensoras do bem-estar das mulheres em Mansodé, partilhou a forma como conseguiu dar confiança às mulheres e aos líderes religiosos para debaterem questões que há muito eram consideradas tabu.
As suas histórias ilustraram uma ideia clara: a mudança duradoura surge de dentro das comunidades, através da tomada de decisões partilhada e do empenho coletivo.
A educação como motor da transformação
A sessão final centrou-se no impacto a longo prazo da abordagem educativa da Tostan.
Mariama Bamba, uma engenheira solar de Soudiane que recebeu formação no Barefoot College, na Índia, explicou como a participação no programa da Tostan lhe abriu caminhos que nunca tinha imaginado. Doussou Konaté, facilitador de longa data de Keur Simbara, refletiu sobre as décadas passadas a acompanhar debates comunitários por todo o Senegal. Oumarou Haïdara, agora presidente da Câmara de Dinandougou, no Mali, descreveu como o programa reforçou a sua liderança e aprofundou a participação da comunidade na governação local.
As suas experiências demonstraram que a educação não se resume à aquisição de informação — ela alimenta a confiança, alarga as possibilidades e reforça a liderança comunitária.

«Démb, Tey ak Ëllëg» — Ontem, Hoje e Amanhã
Em todos os painéis, uma mensagem ficou bem clara: a história da Tostan é carregada pelas pessoas — aquelas que lançaram as bases no passado, aquelas que sustentam o trabalho hoje e aquelas que se preparam para orientar as suas comunidades no futuro.
Foram extraídas as seguintes lições fundamentais:
- a criatividade e a solidariedade que marcaram os primeiros anos devem ser preservadas;
- O intercâmbio entre gerações fortalece o movimento;
a compreensão cultural continua a ser essencial; - Os facilitadores continuam a ser a espinha dorsal do desenvolvimento liderado pela comunidade.
