Guiné-Bissau: Primeiro, silêncio. Depois, uma jovem tomou a palavra

A 15 de novembro de 2024, em Gabu, cerca de cinquenta jovens do meio rural e pessoas que regressaram à região reuniram-se perante as autoridades locais num raro fórum público sobre emprego e oportunidades. No início, mostraram-se hesitantes. Poucos tinham alguma vez falado diretamente com as autoridades. Depois, uma jovem levantou-se e disse: «Queremos oportunidades aqui, para não termos de partir.» A sua voz quebrou o silêncio. Outros seguiram-na.

Escassez de emprego e pressão migratória

Os jovens representam cerca de 60 % da população da Guiné-Bissau, o que faz deste país uma das nações mais jovens da África Ocidental. No entanto, as perspetivas de emprego formal continuam a ser extremamente limitadas. A taxa de desemprego juvenil situou-se em apenas 2,8 % em 2024, não porque haja empregos em abundância, mas porque muitos jovens abandonaram completamente a população ativa. Nas zonas rurais, a migração surge frequentemente como a única via viável para a sobrevivência.

O fórum público em Gabu não foi um evento isolado. Resultou de sessões de formação organizadas no âmbito do projeto «Bright Professional Opportunities and Youth and Women’s Empowerment» (BPOE), financiado pelo Ministério Federal Alemão para a Cooperação Económica e o Desenvolvimento (BMZ) e gerido pela GIZ em colaboração com parceiros, incluindo a Tostan.

Através do Programa de Empoderamento Comunitário da Tostan, os participantes participaram em sessões de diálogo e liderança realizadas nas línguas locais. Aprenderam a fazer perguntas sobre o seu futuro, a debater direitos e responsabilidades e a praticar o envolvimento cívico em espaços seguros e inclusivos.

Os jovens como vozes na política

No fórum, os jovens participantes não se limitaram a falar — foram ouvidos. Os responsáveis tomaram notas e comprometeram-se a dar seguimento ao assunto. A verdadeira transformação foi psicológica. Pela primeira vez, muitos jovens viram-se não como destinatários passivos de ajuda, mas como contribuintes ativos para o desenvolvimento local.

«Antes, as decisões eram tomadas por nós. Agora, sabemos que podemos participar nelas», refletiu um dos participantes.

Num país onde mais de 70% da população vive em zonas rurais e muitos jovens raramente interagem com os decisores políticos, este fórum marcou um marco. Representou uma mudança do isolamento para a participação, de esperar pela mudança para a moldar.

Embora um único fórum público não consiga resolver o desemprego nem travar a migração, este marcou o início de algo mais vasto: um novo contrato social. Os jovens já não são apenas a «geração do futuro». Em comunidades como Gabu, estão a assumir o papel de líderes da geração atual, capazes de influenciar programas de formação, iniciativas de empreendedorismo e prioridades locais.

O primeiro passo para uma mudança duradoura

O projeto da BPOE e a abordagem educativa da Tostan estão a ajudar a redefinir o conceito de inclusão na Guiné-Bissau. Ao promover o diálogo, a alfabetização e a liderança, o programa dota os jovens de ferramentas para participarem na governação e defenderem as suas necessidades.

Por todo o país, jovens que antes se sentiam invisíveis estão a perceber que as suas vozes são importantes. A mudança começa com as palavras proferidas em espaços públicos, mas continua na confiança que levam para casa — para se organizarem, colaborarem e liderarem.

O projeto da BPOE e a abordagem educativa da Tostan estão a ajudar a redefinir o conceito de inclusão na Guiné-Bissau. Ao promover o diálogo, a alfabetização e a liderança, o programa dota os jovens de ferramentas para participarem na governação e defenderem as suas necessidades.

Por todo o país, jovens que antes se sentiam invisíveis estão a perceber que as suas vozes são importantes. A mudança começa com as palavras proferidas em espaços públicos, mas continua na confiança que levam para casa — para se organizarem, colaborarem e liderarem.