ODM 4: Reduzir a mortalidade infantil no Mali

Todos os dias, membros de comunidades por toda a África trabalham em prol dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). Para assinalar a Semana dos ODM deste ano, iremos publicar diariamente uma história sobre a forma como as comunidades estão a trabalhar em conjunto para alcançar cada um destes objetivos, liderando o seu próprio desenvolvimento a partir da base.

Embora se tenham registado progressos significativos na última década no que diz respeito ao quarto Objetivo de Desenvolvimento do Milénio (reduzir a mortalidade infantil), principalmente devido a um melhor acesso aos serviços de saúde, cerca de 29 000 crianças continuam a morrer todos os dias em todo o mundo, sobretudo por causas evitáveis. Quando as comunidades têm melhor acesso aos serviços de saúde e são capacitadas com conhecimentos sobre higiene e a sua própria saúde, incluindo o seu direito a uma boa saúde, ficam mais aptas a prevenir doenças comuns, como a diarreia e a malária, proporcionando aos seus filhos um início de vida mais saudável.

A nível mundial, mais de 30 milhões de crianças não estão vacinadas, o que torna os seus organismos mais vulneráveis a doenças graves. Dois dos principais fatores que contribuem para este número são a falta de acesso fácil às vacinas e a falta de sensibilização sobre os benefícios da vacinação infantil.

As crianças nascidas de mães que receberam alguma educação têm mais probabilidades de sobreviver do que as crianças de mães sem qualquer nível de escolaridade. O Programa de Capacitação Comunitária (CEP) da Tostan, de abordagem holística e não formal, procura fornecer às comunidades as informações de que necessitam para manter as suas crianças saudáveis.

As comunidades que participam no CEP no Mali melhoraram significativamente os seus níveis de higiene através da organização de limpezas comunitárias mensais e da adoção de outros comportamentos saudáveis. Os Comités de Gestão Comunitária (CMCs) criaram subcomités de saúde e trabalham agora em conjunto com os serviços de saúde locais para lançar campanhas de vacinação. Graças a estas campanhas, 38 comunidades malianas estão agora a garantir que as crianças sejam vacinadas contra doenças evitáveis. Estas comunidades estão também a acompanhar as mulheres grávidas, assegurando que recebem cuidados pré e pós-natais adequados.

Outra mudança significativa em algumas comunidades do Mali é o abandono da mutilação genital feminina (MGF), praticada por muitos grupos étnicos malianos. A MGF pode causar graves consequências para a saúde das meninas, levando, por vezes, até à morte. O CEP permite que as comunidades comecem a dialogar e a partilhar as suas opiniões sobre este tema tabu. Na primavera de 2013, foram realizadas reuniões interzonais, com mais de 350 participantes, em Kénénkoun, Fégoun, Sindo e Yirimadio para debater as práticas da MGF e do casamento infantil/forçado.

Estes esforços culminaram a 8 de junho de 2013, quando 30 comunidades parceiras e comunidades adotadas pela Tostan declararam o abandono da mutilação genital feminina (MGF) e do casamento infantil/forçado, tendo até mesmo uma praticante da MGF, Kaba Ballo, decidido não só deixar de praticar a MGF, mas também começar a sensibilizar as pessoas para as consequências nocivas desta prática. Mais de 800 pessoas participaram nesta declaração pública de abandono, incluindo representantes das autoridades locais e nacionais.

Ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que as crianças do Mali tenham um início de vida mais saudável, mas já se observam muitas mudanças importantes.

Artigo de Olivia Caverly