Comunicado de imprensa do Comité Nacional do Senegal para a Abolição da Mutilação Genital Feminina: Anúncio do evento de 6 de fevereiro

2 de fevereiro de 2016

DAKAR — O Senegal, tal como muitos outros países em todo o mundo, irá celebrar o Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina no sábado, 6 de fevereiro. Em parceria com o departamento da Ministra da Mulher, da Família e da Criança; o Comité Nacional para o Abandono da Mutilação Genital Feminina (MGF); o programa conjunto da UNFPA-UNICEF e da Tostan organizou um evento de mobilização social em Keur Simbara, na região de Thiès. A participação no evento contará com membros das comunidades Bambara, Mandinka, Pulaar, Soninké e Diola. 

A comunidade de Keur Simbara é pioneira no movimento para abandonar a mutilação genital feminina no Senegal. É bem conhecida pelo trabalho do imã da comunidade, Demba Diarwa, que visitou 347 aldeias para sensibilizar a população para esta questão. 

No Dia da Tolerância Zero de 2003, Stelle Obasanjo, primeira-dama da Nigéria e porta-voz da campanha contra a mutilação genital feminina, proferiu a declaração oficial sobre a «tolerância zero à MGF» numa conferência organizada pelo Comité Interafricano sobre Práticas Tradicionais que Afetam a Saúde das Mulheres e das Crianças em África.

Este dia constitui uma oportunidade para as comunidades partilharem as suas experiências e destacarem os progressos alcançados, bem como para debaterem os desafios do movimento nacional para o abandono da mutilação genital feminina no Senegal. A sessão da manhã, a realizar-se no Centro de Formação Tostan, em Thiès, incluirá um painel de discussão com alguns dos líderes senegaleses do movimento para o abandono da MGF, antes de se deslocar a Keur Simbara, à tarde, para atividades de mobilização social. O tema do evento de 2016 é «Mobilizar-nos em conjunto para contribuir para a concretização dos Objetivos Globais através da eliminação da mutilação genital feminina até 2030».

A mutilação genital feminina (MGF) constitui uma violação dos direitos humanos fundamentais das mulheres e das raparigas e põe em risco a sua saúde e bem-estar, podendo, por vezes, causar a morte. Esta prática afeta cerca de 140 milhões de raparigas e mulheres em todo o mundo, e mais de 3 milhões de raparigas são vítimas desta prática todos os anos.

No Senegal, de acordo com o Inquérito Demográfico e de Saúde (EDS-MICS) de 2014, a prevalência da circuncisão é de 25% entre as mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 49 anos, com grandes disparidades nas regiões do Sul, Sudeste (69%), Norte (30%), Oeste (17%) e Centro (6%). 

O Senegal espera, através do plano de ação nacional, acelerar o abandono da mutilação genital feminina, com vista a alcançar o abandono total desta prática em 2017.