Entre 20 e 29 de outubro de 2014, no âmbito do Programa de Empoderamento Comunitário(CEP), a equipa do Projeto Prisional da Tostan realizou um workshop de formação sobre tingimento de tecidos. Este foi o primeiro workshop de formação após o lançamento do Projeto Prisional em Diourbel, em setembro de 2014. Participaram no workshop 15 reclusos. A equipa do projeto prisional contratou a Sra. Awa Fall, especialista na arte do tingimento, que também tinha participado no CEP enquanto esteve na prisão. Ela recebeu um indulto presidencial e agora ministra formação em tingimento nas cinco prisões onde a Tostan oferece o CEP.
Awa Fall comprou todo o equipamento necessário para o workshop e deu início à formação na segunda-feira, 20 de outubro. A sessão começou com um debate entre os participantes. O momento mais marcante foi quando Awa Fall revelou que ela própria era uma ex-detida e contou o quanto a sua vida tinha mudado desde que participou no programa: «Hoje, graças à Tostan, não peço ajuda financeira a ninguém e consigo cuidar de mim e da minha família, simplesmente porque aprendi a arte do tingimento», disse ela. Isto impressionou bastante as detidas e contribuiu em grande medida para a dedicação que todas demonstraram durante o workshop.
O processo de tingimento começa com a lavagem dos lençóis, o corte ao comprimento adequado, a aplicação de padrões no tecido e, por fim, a imersão nos corantes. Depois de concluído todo este processo, os lençóis são deixados a secar ao sol e os reclusos participam então numa nova formação: costura, ministrada pela Sra. Mbengue. Os reclusos da prisão de Diourbel já tinham feito um curso de costura, pelo que a equipa do Prison Project aproveitou esta base para fornecer à Awa materiais adicionais e pagar-lhe por mais alguns dias de trabalho.
Esta foi, de facto, uma oportunidade para os detidos perceberem exatamente quais são as competências adquiridas no âmbito do CEP. Não só a sua literacia iria melhorar, como também iriam aprender competências que lhes mudariam a vida. Mas a aprendizagem não foi apenas unidirecional. A própria equipa do projeto descobriu quais os detidos que nunca tinham recebido visitas das suas famílias e começou a implementar planos para uma futura reconciliação familiar.
Os detidos mostraram-se muito dispostos a ajudar em todas as fases do processo: a transformação de um simples pedaço de tecido branco em belos lençóis, toalhas de mesa, fronhas e toalhas de banho, em todos os tons imagináveis. Ficaram duplamente orgulhosos quando descobriram que os produtos que acabavam de criar seriam expostos ao público na Feira Internacional de Dakar (em francês, FIDAK), que se realiza todos os anos em dezembro.
O Projeto Prisional continua a desenvolver as competências que os reclusos já possuem, para que possam reintegrar-se com sucesso na sociedade. A par da mediação familiar, os reclusos recebem formação destinada a proporcionar-lhes oportunidades de obter rendimentos assim que saírem da prisão e regressarem a casa.
