Seynabou Sow ouviu falar pela primeira vez da Tostan através de uma colega de turma. Esta contou-lhe como a Tostan tinha coberto os custos do tratamento da fístula com que a sua mãe vivia há já algum tempo. A fístula é uma abertura no canal de parto causada por um trabalho de parto prolongado e obstruído, sem acesso a cesariana, e leva as mulheres a viver com incontinência crónica. Isto pode ter repercussões psicossociais, uma vez que muitas mulheres sentem vergonha, são frequentemente abandonadas pelos maridos e, incapazes de trabalhar devido às lesões, têm dificuldade em ganhar a vida. A condição pode normalmente ser tratada com uma operação simples, mas muitas mulheres não têm conhecimento disso ou não têm meios para suportar os custos. A mãe de Seynabou, Khady, vivia com esta condição.
«Durante 15 anos, ela sofreu», disse Seynabou, descrevendo como a sua mãe tinha tanta vergonha que nem sequer saía de casa. Com medo de se levantar do lugar onde estava sentada, para que ninguém reparasse na sua incontinência e gozasse com ela, isolou-se da sociedade tanto quanto possível.
No âmbito de um projeto de investigação em parceria com a Fistula Foundation, a equipa da Tostan tinha visitado Keur Mari, a aldeia onde vive a família Sow, no início do ano. A equipa procurava mulheres que tivessem fístula ou que tivessem sido curadas da fístula. Khady não se encontrava na aldeia na altura e, por isso, não assistiu à visita da equipa. No entanto, após o seu regresso, e por volta da mesma altura em que Seynabou ouviu falar da Tostan através da sua colega de turma, o médico de Khady colocou-a em contacto com a Tostan.
Em maio de 2013, Khady conheceu Dieynaba Diallo, assistente do departamento de Monitorização, Avaliação, Investigação e Aprendizagem na sede da Tostan em Dakar, no Senegal, que fazia parte da equipa de investigação. Ao perceber que Khady precisava de ajuda, Dieynaba começou então a planear o seu tratamento.
Khady deslocou-se a Dakar para iniciar o seu tratamento em outubro. Seynabou explica que a sua mãe passou os dois meses seguintes no hospital, com os custos cobertos pela Tostan e pela Fistula Foundation. «Não tínhamos meios para pagar», disse Seynabou, explicando que o tratamento da mãe não teria sido possível sem este apoio financeiro. Embora a operação em si seja gratuita, oferecida pelo hospital através de financiamento da UNFPA, os custos dos exames, análises e alimentação ainda tinham de ser cobertos.
No entanto, o apoio que a Tostan prestou à Khady não se limitou apenas ao plano financeiro. Seynabou explicou que percebeu como a sua mãe se tinha tornado muito próxima da Dieynaba. «É como se fossemos da mesma família», disse ela, explicando que a Dieynaba liga regularmente à Khady para saber como ela está, oferecendo-lhe apoio moral quando esta se sente em baixo.
Já fora do hospital, Khady está a recuperar bem e está pronta para regressar à sua aldeia. Ela veio com a Seynabou ao escritório da Tostan antes de regressar a casa, e foi aí que a entrevistei.
Os aspetos físicos da fístula são fáceis de tratar, mas os efeitos psicológicos podem demorar mais tempo a sarar. Ao expressar o seu agradecimento à Tostan por ter ajudado a sua mãe a obter o tratamento pelo qual esperou 15 anos, Seynabou afirma que o mais importante para ela é que a sua mãe volte a poder viver sem vergonha.
Artigo de Shona Macleod, assistente de subvenções da Tostan.
