Quando as aulas na escola pública de Sintchandje não começaram a tempo, os pais começaram a ficar preocupados. Os professores destacados para a aldeia na região de Bafatá, na Guiné-Bissau, viviam frequentemente longe, e as deslocações diárias tornavam difícil chegar a tempo do início das aulas.
«Vimos os nossos filhos a perder horas de aprendizagem», recordou Aliu Sambel Baldé, pai e membro do Comité de Gestão Comunitária (CMC). «Tínhamos de encontrar uma solução por nossa conta.»
Aliu lidera a subcomissão de educação do CMC, criada no âmbito do Programa de Empoderamento Comunitário (CEP). Durante uma das reuniões semanais do grupo, ele apresentou uma ideia simples, mas transformadora: construir uma casa para que os professores pudessem viver na comunidade.
A proposta chamou a atenção de todos. O chefe da comunidade ofereceu um terreno, as mulheres ofereceram-se para ir buscar água e os homens começaram a recolher materiais. As famílias contribuíram com o que podiam — algumas trouxeram areia ou pedras, outras doaram algumas moedas. Em poucas semanas, foram assentes os primeiros tijolos de uma residência que permitiria aos professores viver mais perto dos seus alunos.
«O programa da Tostan ajudou-nos a perceber que a educação não é apenas da responsabilidade do governo», afirmou Cadidjato Embaló, coordenador do CMC. «É da responsabilidade de todos nós.»
Hoje, a nova residência fica ao lado da escola. Os professores chegam a horas, a assiduidade das crianças melhorou e os pais reúnem-se regularmente para discutir o progresso dos filhos. O que começou por ser uma ideia de Aliu tornou-se um movimento comunitário em prol de uma melhor educação.
Em todo o setor de Xitole, esta mentalidade está a ganhar força. Desde a implementação do CEP, 40 CMCs levaram a cabo 765 iniciativas relacionadas com a educação. Em conjunto, identificaram mais de 4 400 crianças que não frequentavam a escola e ajudaram mais de metade delas a regressar aos bancos de escola. Foram reparadas 27 escolas comunitárias e lançadas 51 novas atividades para apoiar a aprendizagem — desde a organização de exames escolares até ao reconhecimento dos melhores alunos.
Para Aliu, a maior recompensa é ver as crianças a caminharem com confiança para a escola todas as manhãs. «Antes, as pessoas esperavam que fossem os outros a agir», disse ele. «Agora sabemos que, quando trabalhamos juntos, o futuro dos nossos filhos começa aqui.»
