Poucas coisas são mais inspiradoras do que quando as pessoas se unem e decidem empenhar-se por uma mudança real e duradoura – uma mudança que consideram necessária para que as gerações futuras não só possam viver uma vida digna, mas também prosperar numa sociedade global cada vez mais interligada.
Em 6 de dezembro de 2016, 27 comunidades das zonas rurais da Guiné-Bissau aderiram a um movimento para garantir um futuro em que todas as crianças, mulheres e homens vivam num ambiente em que os princípios dos direitos humanos sejam universalmente respeitados. Estas 27 comunidades da região de Gabú declararam publicamente o respeito pelos direitos humanos, colocando ênfase no abandono da mutilação genital feminina (MGF), do casamento infantil/forçado e de todas as formas de violência contra mulheres e crianças. Mais de 230 pessoas de comunidades rurais participaram neste evento histórico para alargar o espaço em que todas as mulheres, homens e crianças estejam livres de todas as formas de violência e discriminação. A declaração incluiu discursos de representantes das comunidades e de participantes adultos e adolescentes do Programa de Empoderamento Comunitário (CEP) da Tostan.
Os representantes do governo local abriram e encerraram a cerimónia, expressando o seu agradecimento pela colaboração do Governo da Guiné-Bissau para garantir a parceria com a Tostan, bem como reconhecendo que serão necessários mais esforços para que o programa chegue às 4 000 comunidades do país.
Quando a Tostan lançou a primeira implementação do seu programa na Guiné-Bissau, em 2009, não existia nenhuma lei contra a mutilação genital feminina (MGF). No entanto, a Tostan conseguiu trabalhar com membros do governo, ONG nacionais e líderes das comunidades rurais, com o objetivo de: apoiar a criação de bases legais para o abandono da MGF, reforçar a capacidade dos atores nacionais para alcançarem os resultados desejados nas suas intervenções e, talvez mais importante ainda, demonstrar às comunidades rurais que é da sua responsabilidade moldar as suas visões e torná-las realidade. Foi finalmente aprovada uma lei que proíbe a MGF em 2011 e, em 2013, 30 ONG nacionais que faziam parte do Comité Nacional para o Abandono de Práticas Tradicionais Nocivas (CNAPN) receberam formação sobre o modelo da Tostan. Desde então, um coletivo de organizações tem trabalhado sob a égide do CNAPN para organizar declarações públicas noutras regiões da Guiné-Bissau onde as práticas tradicionais nocivas são prevalentes. O CNAPN – inspirado no modelo Tostan – tem procurado expandir a sua versão do modelo para outras regiões onde a Tostan não implementou o seu programa, incluindo áreas onde existe uma elevada concentração de práticas tradicionais nocivas.
Estas declarações públicas são a continuação de um movimento que teve início em 2009 — um movimento que continua a crescer.
Nas palavras de Alassane Diédhiou, coordenador nacional da Tostan Guiné-Bissau: «Hoje, foram as comunidades que se pronunciaram e declararam o respeito pelos direitos humanos e o abandono das práticas tradicionais nocivas. Amanhã veremos todos o que estas declarações trarão, pois as comunidades suscitaram uma forte emoção e demonstraram que cada dia radiante começa com o nascer do sol.»

Esta geração de crianças – crianças como Saliu Djau, a jovem que leu em voz alta o texto da declaração – tem um papel importante a desempenhar na construção do futuro da Guiné-Bissau. São estas meninas e meninos que estão entre os primeiros a ver as suas mães assumirem novos papéis de liderança nas suas comunidades e que tiveram agora a oportunidade de representar as suas comunidades ao declarar o estado do seu próprio futuro.
Contribuições de Yussuf Sane, voluntário da Tostan na Guiné-Bissau
