Estrutura do programa

Iniciar o programa

Quando a Tostan é convidada a entrar numa aldeia para dar início ao Programa de Empoderamento Comunitário(CEP), designamos um facilitador com formação para a aldeia. O facilitador é fluente na língua local e pertence ao mesmo grupo étnico que os membros da comunidade. Os facilitadores vivem na aldeia durante os três anos do programa, conhecendo os membros da comunidade tanto dentro como fora da sala de aula. A Tostan paga ao facilitador e fornece o currículo, enquanto os membros da comunidade oferecem alojamento ao facilitador e disponibilizam o espaço para as aulas. Estes compromissos mútuos incentivam todos a envolverem-se no programa, mesmo que não possam participar nas aulas.

O nosso programa é composto por duas partes principais: aulas de educação baseadas nos direitos humanos e a criação de um Comité de Gestão Comunitária(CMC).

Aulas

Cada aldeia organiza duas turmas de 25 a 30 participantes – uma para adultos e outra para adolescentes – que se reúnem três vezes por semana ao longo do programa. Ao realizar aulas separadas para os dois grupos, garantimos que tanto os jovens como os membros mais velhos da comunidade possam participar e contribuir com à-vontade nas aulas, ao mesmo tempo que adquirem as ferramentas e a confiança necessárias para aplicar ativamente o que aprendem na sua comunidade. A maioria dos participantes nunca frequentou a escola formal ou abandonou os estudos numa fase precoce.

Recorremos a técnicas modernas de educação não formal, bem como às tradições orais africanas, tais como o teatro, a narração de histórias, a dança, as artes plásticas, o canto e o debate. Ao apresentar a informação de forma relevante e envolvente, garantimos que as lições tenham impacto e que as novas ideias sejam rapidamente assimiladas.

As aulas do CEP têm duas fases: o Kobi e o Aawde.

O Kobi

O Kobi, a primeira fase do CEP, está estruturado para promover o debate e criar uma dinâmica de aula aberta, acolhedora e confortável. Isto ajuda os participantes a sentirem-se mais à vontade com o facilitador e entre si durante os módulos de alfabetização mais exigentes. Os facilitadores recorrem a tradições orais locais, como canções, poesia e teatro, para estimular o debate e o diálogo sobre questões que afetam o bem-estar da comunidade. O objetivo do Kobi é promover tradições positivas, ao mesmo tempo que incentiva a discussão sobre como novas ideias e práticas podem ajudar a construir uma comunidade mais saudável. Logo no início desta fase, os membros da comunidade estabelecem uma visão coletiva para o seu próprio desenvolvimento.

O Aawde

No Aawde, os participantes aprendem a ler e a escrever na sua própria língua, estudam matemática básica e adquirem competências de gestão. Também aprendem a selecionar, gerir e implementar pequenos projetos. Esta fase baseia-se nas competências e nos conhecimentos adquiridos pelos participantes durante o Kobi e ajuda a desenvolver novas competências práticas que podem contribuir diretamente para a melhoria das condições de vida.

Comissões de Gestão Comunitária

Para além das aulas do CEP, as comunidades criam um CMC responsável pela implementação de projetos de desenvolvimento concebidos pela própria comunidade. Formados pela Tostan, estes são comités de 17 membros selecionados democraticamente, dos quais nove são mulheres.