Artigo de Molly Melching, Diretora Executiva da Tostan
Entre 3 e 6 de abril de 2011, 40 líderes dos direitos humanos, líderes religiosos e académicos reuniram-se no Carter Center, em Atlanta, Geórgia, para debater os principais desafios que os ativistas dos direitos humanos enfrentam e as formas de colaborar com instituições religiosas, tradicionais e governamentais para promover a proteção desses direitos. Molly Melching, Birima Fall, Mohamed Cherif Diop, Demba Diawara e Oureye Sall, da Tostan, foram convidados pelo Presidente Carter para participar neste importante fórum e fazer apresentações sobre o trabalho da Tostan em África.
«A ideia surgiu de um discursoque o Presidente Carter proferiu no Parlamento das Religiões do Mundo em 2009, onde desafiou as pessoas de fé e os líderes religiosos a darem um passo em frente e a defenderem os direitos das mulheres», afirmou Karin Ryan, diretora do Programa de Direitos Humanos do Carter Center. «Esperamos criar um diálogo entre grupos que acreditam que a dignidade humana é um preceito fundamental.»
Molly Melching, diretora executiva da Tostan, fez a apresentação de abertura a 3 de abril sobre a importância de compreender as normas sociais, morais e legais para uma transformação social positiva, seguida de um debate em grupos mais pequenos que permitiu aos participantes trocarem as suas melhores práticas, desafios e formas de colaborar para reforçar ações futuras. Mohamed Cherif Diop, chefe do Programa de Proteção à Criança da Tostan, fez a apresentação da tarde sobre estratégias bem-sucedidas para incentivar líderes religiosos a participar plenamente em movimentos pelos direitos humanos, particularmente os direitos das mulheres e das crianças. A sua apresentação foi também seguida de discussões em pequenos grupos.
A conferência formal, com a participação do ex-presidente dos EUA Jimmy Carter e da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, decorreu de 5 a 6 de abril. Na sessão de abertura, após os discursos de Jimmy Carter e Navi Pillay, Oureye Sall discutiu como a educação em direitos humanos a ajudou a ela e à sua comunidade a realizar mudanças importantes para melhorar a saúde e o bem-estar das mulheres e das meninas. Ela explicou que se casou muito jovem e era praticante tradicional da mutilação genital femininaaté ter participado no programa da Tostan aos 50 anos. Oureye falou sobre o movimento de base para acabar com a mutilação genital femininae o casamento infantil/forçadono Senegal, mas também destacou os inúmeros benefícios da educação básica nas línguas nacionais para melhorar a saúde, a governação, o crescimento económico e a participação das mulheres.
As recomendações do fórum incluíram a promoção ativa da educação em direitos humanos, uma liderança corajosa, soluções baseadas na comunidade e a solidariedade entre homens e mulheres para alcançar a igualdade.
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