À medida que percorremos os 30 quilómetros de Kuraw Kemo até à aldeia vizinha de Touba Wuli, o meu medo das motos começa a dar lugar à emoção. Finjo indiferença, apoiando uma mão no joelho numa tentativa de parecer despreocupado, enquanto, com a outra, agarro com força a luz traseira atrás de mim.
Dia 2
TOUBA WULI

Na aldeia de Touba Wuli, a educação é o tema mais recorrente quando pergunto sobre os desafios que a comunidade enfrenta. Aqui não há nenhuma escola de inglês, apenas uma escola corânica, e mesmo essa não tem secretárias nem cadeiras, tendo apenas um quadro negro para mais de 100 alunos. Quase todos os adultos da comunidade são analfabetos, mas nutrem grandes esperanças para os seus filhos, muitos dos quais frequentam escolas de inglês nas aldeias vizinhas.

Ao contrário de muitas aldeias gambianas, não existe em Touba Wuli nenhum centro de formação profissional onde os residentes possam aprender ofícios com saída no mercado. Ajafay Camara, a presidente do kafo (comité) das mulheres, participa em reuniões em Basse como parte das suas funções e, numa dessas ocasiões, recebeu uma breve formação em tingimento de tecidos. Embora queira ensinar isto às mulheres da comunidade, não há dinheiro para contratar um instrutor mais qualificado nem mesmo para comprar os materiais necessários.
No que diz respeito à mutilação genital feminina (MGF), Karmo Sanuwo, secretário do Comité de Desenvolvimento da Aldeia (VDC), manifesta o seu apoio à prática com base na religião, na tradição e na necessidade de «limpeza». Mas a Sra. Camara disse-me anteriormente que assistiu à declaração da Tostan na aldeia vizinha de Darsilame. Quando me viro para lhe pedir a opinião, ela suspira e diz: «É muito difícil acabar com esta tradição, mas se as pessoas forem educadas sobre os problemas, se forem sensibilizadas, irão abandoná-la.»
Apesar de nunca termos conhecido anteriormente nenhum dos habitantes de Touba Wuli, Lakamay e eu somos gentilmente acolhidos e hospedados nessa noite como convidados. Juntamo-nos à comunidade para assistir a um jogo de futebol até ao pôr-do-sol. Sem eletricidade, a chegada da noite parece mais intensa, mas ainda assim não está tão escuro como seria de esperar, enquanto ficamos sentados ao ar livre durante horas. A aldeia é iluminada pela Via Láctea, pelo tremular das velas, pelos relâmpagos de uma tempestade no horizonte e pelo brilho das brasas usadas para preparar attaya ou chá verde.
Texto e fotos de Katie Seward, voluntária da Tostan na Gâmbia
